Aumento de violência ameça assistência humanitária na República Centro-Africana, diz ONU

Segundo o UNICEF, mais de 2,3 milhões de crianças estão sofrendo as consequências da crise no país e os índices de desnutrição estão crescendo cada vez mais.

A desnutrição e as doenças afetam mulheres e crianças que viajam meses fugindo da violência na RCA indo para Camarões. Foto: IRIN/Otto Bakano 

A desnutrição e as doenças afetam mulheres e crianças que viajam meses fugindo da violência na RCA indo para Camarões. Foto: IRIN/Otto Bakano 

Em um coletiva de imprensa, a porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Elisabeth Byrs, advertiu nesta terça-feira (8) que a violência em curso na República Centro-Africana (RCA) está ameaçando a prestação de assistência humanitária aos civis e criando grandes dificuldades para os trabalhadores humanitários em campo. 

As dificuldades geradas pela deterioração da segurança se agravam ainda mais devido à seca e à falta de chuva em algumas partes do país, principalmente no noroeste, causando um declínio na produção agrícola. Além disso, a falta de combustível para os aviões está dificultando as operações no país e o serviço aéreo da ONU teve que reduzir seu número de voos para um por semana a todos os destinos. Em 6 de julho, 300 barris de combustíveis foram recebidos em Nairóbi para os aviões, o equivalente a 600 mil litros, para manter as operações. Já em Douala, o combustível ainda é esperado e deve ser entregue através de caminhão.

Enquanto isso, a atriz, ativista e embaixadora da Boa Vontade do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF), Mia Farrow, fez sua quarta visita à RCA, onde viu o impacto da violência extrema e conheceu pessoas com histórias de coragem de inspiração. “A coragem e a resistência das pessoas indefesas enfrentando chocantes e níveis inaceitáveis ​​de violência é inesquecível e profundamente inspirador”, disse Farrow.

Segundo o UNICEF, mais de 2,3 milhões de crianças estão sofrendo as consequências da crise no país. Em média, pelo menos uma criança tem sido mutilada ou morta em confrontos todos os dias nos últimos seis meses. Os índices de desnutrição são elevados e o número de crianças associadas com os grupos armados já parece ultrapassar os 10 mil, de acordo com o Ministério do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração do país. “Precisamos do apoio da comunidade internacional para ajudar a fornecer segurança para que as escolas podem ser reconstruídos e as crianças podem voltar em segurança para as aulas”, acrescentou Farrow.