Aumento de violência na República Centro-Africana coloca em risco ajuda humanitária no país, diz ONU

Ao menos 19 incidentes envolvendo trabalhadores humanitários ocorreram desde o início de 2014. ONU pede fim da violência para ajudar mais de 2,2 milhões de pessoas.

Segundo o UNICEF, 2,3 milhões de crianças foram afetadas pela violência. Foto: ACNUR / S. Phelps

Segundo o UNICEF, 2,3 milhões de crianças foram afetadas pela violência. Foto: ACNUR/S. Phelps

Novos combates na República Centro-Africana (RCA) tem agravado a questão humanitária no país, advertiram representantes da ONU nesta sexta-feira (31), alertando que desde o início de 2014, trabalhadores humanitários foram alvos diretos de 19 incidentes na nação africana. A situação na capital, Bangui, é especialmente preocupante e pode pôr em perigo o acesso humanitário, informaram.

Estima-se que milhares de pessoas tenham morrido na CAR e 2,2 milhões precisam de ajuda humanitária desde o começo do conflito que eclodiu quando os rebeldes muçulmanos Séléka lançaram uma ofensiva em dezembro de 2013. Desde então, a violência sectária tem aumentado.

Em uma coletiva à imprensa na sede da ONU em Genebra (Suíça), a porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Elisabeth Byrs, disse que a situação na RCA é “cada vez mais precária”, com perdas de reservas alimentares entre 40 e 50% e 77% da criação animal. Ela também observou que a distribuição de alimentos do Programa sofre o risco de ser suspensa caso a segurança dos funcionários do PMA seja ameaçada.

Já o porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, afirmou que apesar da falta de interesse dos meios de comunicação na crise do país, o deslocamento de mais de 410 mil pessoas é considerado uma “emergência massiva humanitária”.

A situação para as crianças também é crítica, com mais de 2,3 milhões afetadas pela violência, afirmou o porta-voz do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF). Ele observou que em um confronto recente, perto da capital Bangui, seis crianças morreram, inclusive duas “brutalmente assassinadas”, acusadas de espionagem.