Sem acordo político, só em 2012 ocorreu a substituição de cerca de 130 governos municipais eleitos com nomeações presidenciais. No legislativo, o mandato de um terço dos senadores expirou.

Representante Especial Interino do Secretário-Geral da ONU e Chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), Nigel Fisher. Foto: ONU/MINUSTAH/Igor Rugwiza
O rompimento do impasse político que assola o Haiti há cerca de 16 meses é fundamental para alcançar o progresso e consolidar a democracia no país, disse nesta quarta-feira (20) o Representante Especial do Secretário-Geral e chefe da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (MINUSTAH), Nigel Fisher, em discurso para o Conselho de Segurança.
“A realização de eleições credíveis em 2013 é fundamental para reforçar as instituições democráticas do Haiti, para reforçar o Estado de Direito e responder às necessidades urgentes dos cidadãos no país, como emprego e proteção social”, completou.
Eleições locais, municipais e legislativas deveriam ter ocorrido no prazo máximo de janeiro de 2012, mas, apesar de um acordo assinado em dezembro entre os poderes executivo e legislativo para formar uma comissão eleitoral, não houve novos progressos.
“Na ausência destas eleições, ao longo do ano passado vimos a substituição de cerca de 130 governos municipais eleitos com nomeações presidenciais”, disse Fisher. No plano legislativo, o mandato de um terço dos senadores do Haiti expirou em maio de 2012 e outros vão terminar no início de 2014, prejudicando as funções do Senado, advertiu Fisher.
O país caribenho se recupera do terremoto de janeiro de 2010, matando cerca de 220 mil pessoas e deixando outras 1,5 milhão desabrigadas.
Fisher acrescentou que, durante o ano passado, o Haiti continuou a enfrentar muitos desafios, incluindo uma taxa de crescimento econômico lenta, altas taxas de desemprego, um recente aumento nos casos de cólera, duas tempestades tropicais e as secas regionais que exacerbaram os altos níveis de fome e desnutrição.