Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o endosso do presidente Rodrigo Duterte a execuções extrajudiciais ”são particularmente preocupantes à luz da impunidade em curso para casos graves de violência contra jornalistas nas Filipinas’’.

Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Evan Schneider
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse na quarta-feira (8) que está extremamente decepcionado com as recentes declarações feitas pelo presidente eleito das Filipinas, Rodrigo Duterte, sobre execuções extrajudiciais.
‘’Eu condeno consideravelmente o aparente endosso do presidente às execuções extrajudiciais, que são ilegais e se configuram em violações dos direitos e liberdades fundamentais”, disse o chefe da ONU na recepção anual da Associação de Correspondentes das Nações Unidas em Nova York.
“Tais comentários são particularmente preocupantes à luz da impunidade em curso para casos graves de violência contra jornalistas nas Filipinas’’, completou Ban Ki-moon.
Eleito em maio, o novo presidente das Filipinas já se declarou abertamente favorável a execuções extrajudiciais como forma de combate a criminosos e usuários de drogas em seu país, segundo relatos da imprensa internacional.
Comitê para a Proteção de Jornalistas
Ban Ki-moon também manifestou a sua decepção com o fato de o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) ter tido seu status de consultor vetado pelo Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas.
“Continuarei defendendo os direitos dos jornalistas e fazendo todo o possível para garantir que os profissionais da imprensa tenham liberdade para trabalhar”, disse Ban.
Na segunda-feira (6), o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) já havia criticado o veto ao CPJ. “Acreditamos que a decisão de não permitir a participação de ONGs bem estabelecidas em reuniões da ONU (…) seja imprudente, injusta, arbitrária e vai de encontro a outras iniciativas que buscam oferecer melhor proteção aos jornalistas em todo o mundo”, disse na ocasião Rupert Colville, porta-voz do ACNUDH.