Ban faz balanço sobre diversas crises globais

Em um balanço sobre diversas crises globais, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Israel que restaurasse um acordo de moratória nos territórios palestinos ocupados e advertiu que a má gestão do referendo sobre a independência do sul do Sudão pode provocar um novo conflito.

Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Foto: ONU.Em um balanço sobre diversas crises globais, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Israel que restaurasse um acordo de moratória nos territórios palestinos ocupados e advertiu que a má gestão do referendo sobre a independência do sul do Sudão pode provocar um novo conflito.

Ressaltou também a independência do tribunal apoiado pelas Nações Unidas, encarregado de descobrir a verdade por trás do assassinato do ex-Primeiro-Ministro libanês Rafiq Hariri e outras 22 pessoas em 2005, e negou que um relatório de direitos humanos sobre massacres na República Democrática do Congo (RDC) foi atenuado para proteger países vizinhos citados no documento que contribuem com soldados para as forças de paz da ONU.

Sobre o Oriente Médio

Israel não estendeu uma moratória de 10 meses sobre a construção de colônias, que expirou no final de setembro. Sem ela, o Presidente palestino, Mahmoud Abbas, não continuará as conversas de paz. Ele discutirá a questão com outros líderes da Liga Árabe em uma reunião na sexta-feira, em Sirte (Líbia). Ban revisou as negociações no Oriente Médio e no Líbano, em conversas com o líder da oposição israelense e ex-ministro das Relações Exteriores Tzipi Livni.

Embora a preocupação tenha sido expressa em relatórios do rearmamento do Hizbollah, com quem Israel travou uma guerra de um mês em 2006, o Secretário-Geral pediu respeito para a Linha Azul que separa Israel do Líbano. Como ele fez no passado, Ban pede a Israel que cesse seus sobrevôos ao território libanês e manifestou a esperança de que o progresso em breve poderá ser realizado em Ghajar, parte do norte que ainda está ocupada por Israel.

Sobre o Sudão

No Sudão, Ban afirmou que existem menos de 100 dias antes dos dois referendos sobre autodeterminação em 9 de janeiro. O referendo no sul do Sudão é a fase final do Acordo de Paz Global (CPA, na sigla em inglês), o pacto de 2005 que terminou duas décadas de combates entre o Governo do norte e o Movimento/Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLM/A), no sul. Um segundo referendo está sendo realizado na região rica em petróleo de Abyei para decidir se ela pertence ao Sudão do norte ou do sul. O Secretário-Geral expressou preocupação com a falta de progresso na formação da Comissão de Abyei.

Sobre a RDC

Na RDC, Ban falou sobre um recente relatório sobre direitos humanos da ONU que concluiu que “indescritíveis” atrocidades foram cometidas entre 1993 e 2003 por ambos os grupos armados congoleses e forças militares estrangeiras, resultando em dezenas de milhares de mortos e inúmeros outros estuprados e mutilados. Ele declarou que a missão da ONU na RDC (MONUSCO) está revendo suas políticas e operações após recentes combates e estupros de mais de 300 civis desprotegidos no leste da província de Kivu Norte, onde estão baseadas forças de paz da ONU, mas ressaltou os limites da ação do organismo mundial em um país tão vasto.