Secretário-Geral da ONU afirmou estar “extremamente preocupado” que a espiral de violência na Síria esteja criando um terreno fértil para o terrorismo e outras ações criminosas.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu ontem (9) ao Governo sírio que tome a iniciativa de declarar um cessar-fogo imediato unilateral, e que a oposição faça o mesmo, em uma tentativa renovada para acabar com o que ele chamou de “catástrofe regional com ramificações globais”.
“Eu já transmiti meu forte recado ao Governo sírio, que deve declarar imediatamente um cessar-fogo unilateral”, disse ele em entrevista coletiva em Paris, após a realização de conversações com o Presidente francês, François Hollande, sobre o levante de 19 meses contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, e o seu Governo. Mais de 20 mil pessoas já foram mortas desde então.
“É claro que a reação do governo foi questionar o que aconteceria se eles fizessem isso, porque as forças da oposição podem continuar. Isso é exatamente o que eu já discutimos, e eu estou no processo de discussão com os Estados-Membros do Conselho de Segurança e os países da região”, acrescentou, sublinhando que o Representante Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe para a região, Lakhdar Brahimi, continuará a discutir o assunto com os líderes regionais, incluindo Assad.
“Estou recebendo apoio muito positivo por parte dos países do Conselho. É importante que as forças de oposição estejam unidas de uma forma mais coerente e, em vez de buscar uma opção militar, peço que a oposição concorde com este cessar-fogo unilateral, quando e se o Governo sírio declará-lo. Vou continuar a discutir o tema para que isso aconteça”.
Ban Ki-moon observou que o povo sírio está dividido em dois e o Conselho de Segurança não tem sido capaz de se unir, enquanto há ainda diferenças sobre a crise entre os países da região. “Neste momento, peço mais uma vez aos países que estão fornecendo armas para ambos os lados que parem de fornecer equipamento militar, uma maior militarização vai colocar o povo sírio apenas em uma situação mais miserável. Esta não é uma opção. A única opção disponível é a resolução política através do diálogo político, liderado pelo povo sírio”.
Atentados em Damasco fazem Ban reiterar pedido de transição pacífica

Ban Ki-moon também condenou hoje (10) veementemente a série de atentados terroristas coordenados na capital síria, Damasco, na noite de segunda-feira (8), que resultaram em vários mortos e feridos. Ele reiterou o pedido para que todos os lados avancem no sentido de uma transição política e do diálogo.
“O Secretário-Geral está extremamente preocupado que a espiral de violência na Síria esteja criando um terreno fértil para o terrorismo e ações criminosas de todos os tipos”, disse seu porta-voz em um comunicado, acrescentando que Ban Ki-moon também está preocupado com o destino dos detidos supostamente realizado no local onde os atentados ocorreram.
Ban Ki-moon pediu a todos os lados que se envolvam em uma transição política e trabalhem em estreita colaboração com o Representante Conjunto Lakhdar Brahimi, que acaba de chegar em Jeddah, na Arábia Saudita, para conversar com líderes regionais.
De acordo com relatos da mídia, dois atentados suicidas simultâneos mataram dezenas de pessoas em um complexo sírio de inteligência da força aérea em Harasta, a nordeste de Damasco. Um dos homens-bomba estaria dirigindo uma ambulância cheia de explosivos.