ONU registrou a morte de 333 crianças e a mutilação de outras 589 durante ataques brutais entre janeiro de 2011 e dezembro de 2015 na República Centro-Africana, que passa por um conflito armado entre milícias muçulmana e cristã.

Crianças em Kaga-Bandoro, na República Centro-Africana. Foto: ONU/Catianne Tijerina
O conflito e a instabilidade na República Centro-Africana (RCA) teve um impacto devastador sobre as crianças do país, de acordo com um novo relatório da ONU que pede que as partes envolvidas no confronto interrompam as graves violações e se submetam às leis humanitárias e de direitos humanos internacionais.
“Estou profundamente perturbado com a escala e a natureza das violações contra crianças na República Centro-Africana”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em seu mais novo relatório sobre crianças e conflito armado no país.
A ONU registrou a morte de 333 crianças e a mutilação de outras 589 em ataques brutais entre janeiro de 2011 e dezembro de 2015. A maior parte dos ataques foi documentada entre 2013 e 2014, após a milícia muçulmana Séléka derrubar o governo do então presidente François Bozizé e depois da ascensão de milícias cristãs opositoras Anti-balaka.
Mais de 500 crianças foram estupradas ou alvo de outras formas de violência sexual durante o período coberto pelo relatório.
As violações também incluem recrutamento e o uso de crianças como alvo baseando-se em suas crenças religiosas.
“No ápice do conflito em 2013 e 2014, as crianças eram vítimas de violência implacável e violações estarrecedoras foram cometidas em um clima de total impunidade, agravada pelo colapso e pela desintegração da maior parte das instituições estatais”, disse a representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflito Armado, Leila Zerrougui.
O relatório pediu que autoridades da República Centro-Africana fortaleçam o sistema judiciário do país para acabar com a impunidade, incluindo o estabelecimento e operacionalização de um Tribunal Especial Criminal financiado pelos Estados-membros.
Eleições
Na semana passada, as Nações Unidas elogiaram os resultados finais do segundo turno das eleições presidenciais na República Centro-Africana, cumprimentando o presidente eleito Faustin-Archange Touadéra.
Em 1º de março, o Tribunal Transitório Constitucional do país anunciou o segundo turno entre os dois ex-premiês Touadéra e Anicet-Georges Dologuélé. Cerca de 62% dos eleitores escolheram Touadera, de acordo com a imprensa local.
ONU, União Africana, Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC), União Europeia e a Organização Internacional da Francofonia (OIF) manifestaram apoio à escolha do presidente eleito para fortalecer os esforços na promoção do diálogo e reconciliação nacional.