Secretário-geral reafirmou compromisso da ONU com o apoio ao desenvolvimento econômico e social da Tunísia, país onde as revoltas da chamada Primavera Árabe tiveram início em 2010 exigindo melhores condições de vida e democracia. Ban também visitou a Jordânia – ao lado do presidente do Banco Mundial –, onde se reuniu com refugiados do campo de Zaatari, assim como autoridades de Palestina, Turquia e Jordânia.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (esquerda), reúne-se com o presidente da Tunísia, Beji Caid Essebsi, no Palácio Presidencial em Carthage, Tunísia. Foto: Banco Mundial.
Em visita à Tunísia nesta segunda-feira (28), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou o que chamou de progresso democrático no país, reafirmando o apoio das Nações Unidas a seus cidadãos e governo.
“(O presidente do Banco Mundial, Jim Yong) Kim e eu estamos aqui para mostrar nosso apoio à Tunísia, onde o progresso rumo à estabilidade e à prosperidade estão avançando apesar de desafios econômicos e de segurança significativos”, disse o chefe da ONU a jornalistas durante coletiva de imprensa em Túnis.
“Acabamos de nos reunir com o presidente Beji Caid Essebsi. Eu o elogiei pelo progresso democrático ocorrido na Tunísia. Também felicitei seus esforços para reduzir as desigualdades econômicas e sociais. Garanti a ele que as Nações Unidas apoiam os cidadãos da Tunísia e o governo em um momento em que o país está em transição”, acrescentou.
Ban lembrou que o desemprego, especialmente entre os mais jovens, é um dos principais desafios da Tunísia. “Mal posso esperar para ouvir os jovens me dizerem pessoalmente sobre seus medos e o tipo de ajuda que precisam”, disse o chefe da ONU, que participará na terça-feira (29) de uma conferência sobre emprego organizada pelo primeiro-ministro tunisiano.
Ban e Kim devem se encontrar com outras autoridades do país para tratar de propostas concretas para gerar resultados econômicos que beneficiem a população tunisiana, especialmente no que se refere à criação de empregos e apoio econômico.
Visita à Jordânia
No domingo (27), o secretário-geral da ONU visitou a Jordânia – junto ao presidente do Banco Mundial -, onde se reuniu com refugiados do campo de Zaatari, assim como autoridades de Palestina, Turquia e Jordânia, incluindo o rei Abdullah II.
“Estive aqui no início do estabelecimento do campo de Zaatari e vi muita diferença: em primeiro lugar, há muito mais gente, infelizmente, que não pode voltar”, disse Ban a jornalistas em coletiva de imprensa sobre sua segunda visita ao campo de refugiados desde que este foi aberto em 2012.
Em visita ao Líbano na sexta-feira (25), Ban Ki-moon e o presidente do Banco Mundial endossaram o comprometimento do sistema ONU com o país, pedindo fundos adicionais para um campo de refugiados, inaugurando um novo centro de desenvolvimento social e anunciando um novo plano de financiamento para escolas libanesas.
Durante sua visita ao campo de Nahr El-Bared, no norte do Líbano, que foi reduzido a cascalho quando os conflitos começaram em maio de 2007 entre o grupo radical Fatah al Islam e o exército libanês, o chefe da ONU declarou que sua reconstrução tem sido prioridade desde o início de seu mandato no mesmo ano. Muitos dos 31 mil refugiados palestinos vivendo no local tiveram que deixar suas casas.
“Agora, depois de nove anos, bem, vejo que quase metade da reconstrução foi feita, mas ainda assim há muitas pessoas esperando para voltar para casa”, disse Ban a jornalistas em Tripoli.
Ban lembrou que uma conferência internacional realizada recentemente em Londres por ONU, Reino Unido, Alemanha, Noruega e Kuwait arrecadou mais de 5,5 bilhões de dólares em fundos para este ano. O chefe da ONU disse que parte desses recursos irá apoiar a reconstrução do campo de Nahr El-Bared.
“Temos 45% dos recursos necessários”, disse. “Peço à comunidade internacional que forneça os recursos remanescentes, ao menos 200 milhões de dólares, para que essas pessoas possam voltar.”
Ele acrescentou que apoiar esses refugiados será uma das prioridades da Cúpula Mundial Humanitária que ocorrerá em Istambul em maio.
Ban Ki-moon chegou na quinta-feira (24) ao Líbano, quando visitou a sede da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), em Naqoura, e posteriormente deu uma coletiva de imprensa na qual elogiou a generosidade do país e do povo libanês em relação aos refugiados sírios.
De acordo com um porta-voz, o secretário-geral da ONU reuniu-se com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, com quem discutiu a atual situação política do país, acompanhado do presidente do Banco Mundial e do presidente do Banco Islâmico de Desenvolvimento, Ahmad Mohamed Ali Al-Madani.
Os três se reuniram com o presidente do Conselho de Ministros do Líbano, Tammam Salam. Durante uma coletiva de imprensa conjunta, o secretário-geral disse que poucos países demonstraram a generosidade que o governo e o povo libanês mostraram em relação aos refugiados sírios.
O chefe da ONU explicou que sua visita com o Banco Mundial e o Banco Islâmico de Desenvolvimento tinha como objetivo encontrar formas de melhorar as condições para os refugiados, apoiar as comunidades que os recebem e ajudar a mitigar o impacto na economia libanesa.
Paralelamente, presidente do Banco Mundial disse também na sexta-feira que a instituição tem uma parceria de longa data com autoridades libanesas e que está orgulhoso de ter apoiado o programa nacional de combate à pobreza, que opera desde 2009.
“Ajudamos a ampliar a escala do programa para reduzir os impactos dos refugiados sírios nas famílias libanesas, e ajudá-los a diminuir as tensões entre refugiados e comunidades anfitriãs”, disse Kim.
Ele também anunciou uma iniciativa de 100 milhões de dólares que tem como objetivo apoiar o plano do governo libanês para melhorar a qualidade de sua educação para conseguir colocar todas as crianças refugiadas do Líbano e da Síria nas escolas até o fim de 2017.