Em visita a Luxemburgo, Secretário-Geral da ONU lembra que mesmo com rápida resposta de governos e agências humanitárias, a situação do Sahel se deteriorou.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu na terça-feira (17/04) que a comunidade internacional aja com rapidez na atual crise “em efeito cascata” na região do Sahel, na África. De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 15 milhões de pessoas foram diretamente afetadas pela seca e os conflitos na região.
Durante discurso no Parlamento de Luxemburgo, Ban lembrou que apesar da rápida resposta de governos e agências humanitárias internacionais, a situação do Sahel se deteriorou. Os preços dos alimentos e combustíveis subiram, a seca continua severa, conflitos não pararam e mais pessoas foram deslocadas de suas casas. “Cerca de 200 mil crianças morreram no ano passado de má nutrição e agora mais de um milhão estão ameaçadas”, afirmou Ban.
O Secretário-Geral lembrou que os conflitos na Líbia tornaram a situação do Sahel ainda mais delicada. “Milhares de pessoas voltaram para suas casas no Sahel. Algumas eram trabalhadoras migrantes, mas outros são combatentes armados, criminosos, trazendo consigo grandes quantidades de armas leves e pesadas além de munições”, observou ele acrescentando que, em Mali, a rebelião tuaregue no norte deslocou pelo menos 200 mil pessoas de suas casas.
Em dezembro de 2011, algumas agências da ONU e parceiros pediram uma ajuda humanitária de 724 milhões de dólares como resposta para a crise. No entanto, apenas 40% desse valor foi doado. Ban Ki-moon pedi novas soluções para o Sahel.
“Precisamos pensar diferente. Se a crise em cascata no Sahel demonstra alguma coisa, é a necessidade de cavar mais fundo, para se chegar às causas profundas do conflito. A crise multifacetada exige uma resposta multifacetada”, concluiu.