Secretário-Geral da ONU encoraja as partes a reatarem reuniões numa atmosfera de boa vontade e pede que demonstrem a flexibilidade necessária para chegar a um acordo. Paz tem sido ameaçada por conflitos ao longo da fronteira.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, saudou na quarta-feira (24/05) o anúncio da retomada das conversações entre os Governos do Sudão e do Sudão do Sul. A nova rodada de negociações será realizada a partir da próxima semana em Addis Abeba, Etiópia, e contará com a mediação do Painel de Implementação de Alto Nível da União Africana.
“O Secretário-Geral encoraja as partes a reatarem as reuniões em uma atmosfera de boa vontade e pede que demonstrem a flexibilidade necessária para chegar a um acordo sobre as questões pendentes, conforme a orientação e os prazos estabelecidos pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana e pelo Conselho de Segurança da ONU”, disse o Porta-Voz de Ban.
O Sudão do Sul tornou-se independente do Sudão em julho de 2011, seis anos após a assinatura de um acordo que encerrou décadas de guerra entre o norte e o sul. No entanto, a paz entre os dois países tem sido ameaçada recentemente por conflitos ao longo da fronteira comum e questões pós-independência que ainda permanecem pendentes.
A tensão aumentou nas últimas semanas depois que forças sul-sudanesas deslocaram-se para a região produtora de petróleo de Heglig, no estado de Kordofan do Sul, no Sudão. Já as forças sudanesas envolveram-se em bombardeios no território sul-sudanês.
“O Secretário-Geral salienta a necessidade de iniciar os mecanismos de monitoramento e verificação de fronteira para a paz e a segurança na fronteira, e confirma a disposição da [Força de Segurança Interina das Nações Unidas para Abyei] UNISFA para apoiar imediatamente a implementação dos acordos e suas operações”, acrescentou o Porta-Voz.
O Conselho de Segurança da ONU (CS) estabeleceu a UNIFSA em junho de 2011, após um surto de violência ocorrido depois que tropas sudanesas assumiram o controle de Abyei – zona de fronteira disputada entre o Sudão e o Sudão do Sul. O conflito já levou ao deslocamento de mais de cem mil pessoas.
Em resolução aprovada por unanimidade no início de maio, o CS concluiu que a tensão que prevalece ao longo da fronteira entre os dois países constitui “uma séria ameaça à paz e à segurança internacionais”. Foi exigido de ambos que cessem imediatamente as hostilidades e retomem as negociações. O CS prorrogou o mandato da UNIFSA por mais seis meses e expressou sua intenção de tomar “medidas adequadas” se as partes não atenderem aos pedidos de paz.