No dia em que o Acordo de Paris para o clima entrou em vigor, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que a mesma determinação adotada no pacto seja direcionada para conquistar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Secretário-geral da ONU (segundo à esquerda), Christiana Figueres (esquerda), do UNFCCC, o chanceler francês, Laurent Fabius, e o presidente francês, François Hollande (direita) celebram adoção do Acordo de Paris. Foto: ONU
No dia em que o Acordo de Paris para o clima entrou em vigor, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que a mesma determinação adotada no pacto seja direcionada para conquistar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
“Continuamos correndo contra o tempo. Mas com o Acordo de Paris e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o mundo tem o plano necessário para adotar um caminho resiliente e de baixa emissão”, disse Ban à imprensa nesta sexta-feira (4) na sede da ONU em Nova York.
“Agora é a hora de fortalecer a determinação global, fazer o que a ciência demanda e aproveitar a oportunidade para construir um mundo mais seguro e mais sustentável para todos”, acrescentou.
No início de outubro, o Acordo de Paris atingiu o patamar mínimo de adoção de 55 países, representando 55% das emissões globais necessárias para ser aplicado. A entrada em vigor foi extremamente rápida, particularmente para um acordo que requer um grande número de ratificações e estabeleceu dois critérios específicos.
O Acordo de Paris prevê que os países combatam as mudanças do clima, acelerem e intensifiquem suas ações e investimentos necessários para um futuro sustentável e de baixo carbono, e que se adaptem aos crescentes impactos das alterações climáticas.
Também pretende fortalecer a capacidade dos países de lidar com os impactos dessas mudanças, pedindo um aumento dos fluxos financeiros, novas diretrizes tecnológicas e maior capacidade de construção de novos padrões para apoiar as ações dos países em desenvolvimento nesse sentido, em linha com os objetivos nacionais dessas nações.
Em declarações nesta sexta-feira, Ban lembrou que a geração atual é a primeira a sentir os efeitos das mudanças climáticas e a última a ter a chance de evitar as piores consequências. Ele acrescentou que, na última década, uma “ampla coalizão global” para a ação climática — incluindo autoridades governamentais, cientistas, líderes religiosos, executivos e ativistas da sociedade civil mundial — foi formada, reconhecendo que o futuro da humanidade e do planeta estava em jogo.
“Eles tornaram este dia possível”, acrescentou Ban. “O dia de hoje nos mostra que isso é possível, quando unimos forças para nosso futuro comum.”
Adotado por 196 países em dezembro do ano passado na capital francesa, o Acordo de Paris para o clima tem como objetivo central fortalecer a resposta global para a ameaça da mudança climática, mantendo a elevação da temperatura global bem abaixo dos 2 graus Celsius, acima dos níveis pré-industriais, e buscar esforços para limitá-la a 1,5 grau Celsius.
Na segunda-feira (7), a próxima reunião da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), conhecida como COP22, terá início em Marrakesh, no Marrocos.
Estados precisam ser mais ambiciosos
A entrada em vigor do Acordo de Paris para o clima deve impulsionar os Estados a serem mais ambiciosos em seu compromisso de combater o aquecimento global, disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, na quinta-feira (3).
“Um ano atrás, o mundo celebrava a aprovação do primeiro acordo universal e vinculante para o combate às mudanças climáticas, mas há uma clara desconexão entre a declarada ambição do pacto de limitar o aquecimento global a menos de 2 graus e os compromissos que os países fizeram. Essa diferença precisa ser resolvida”, disse Zeid.
“A mudança climática é uma ameaça para todos nós e às futuras gerações, e para a garantia dos direitos humanos agora e nos próximos anos. Um mundo continuadamente aquecido será o túmulo de todos os ecossistemas, populações inteiras — e potencialmente de nações inteiras”, disse o alto comissário da ONU.
“Os últimos três anos foram os mais quentes registrados, o que mostra como é imperativo focar na implementação do Acordo de Paris para garantir que os compromissos que os Estados fizeram para respeitar e promover os direitos humanos e a ação climática sejam cumpridos e aprofundados”, disse Zeid.