Ban pede que compromissos de Cúpula Mundial Humanitária sejam levados adiante

Secretário-geral da ONU cumprimentou os participantes da cúpula realizada em Istambul, na Turquia, mas lamentou a ausência de importantes líderes mundiais, declarando que a falta no evento “não pode ser uma desculpa para a inação” no que se refere à melhora do sistema global de ajuda humanitária.

A ONU estima que um número recorde de 130 milhões de pessoas precisa atualmente de ajuda humanitária, sendo que o volume de deslocados hoje é o maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com o presidente turco durante cerimônia de encerramento da Cúpula Mundial Humanitária. Foto: ONU

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com o presidente turco durante cerimônia de encerramento da Cúpula Mundial Humanitária. Foto: ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cumprimentou os participantes da primeira Cúpula Mundial Humanitária, encerrada na terça-feira (24) em Istambul, na Turquia, e pediu que os compromissos assumidos no encontro sejam levados adiante para não apenas melhorar o sistema global de ajuda humanitária como para prevenir as crises.

As Nações Unidas estimam que um número recorde de 130 milhões de pessoas precisa atualmente de ajuda humanitária, sendo que o volume de deslocados hoje é o maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

“A Cúpula Mundial Humanitária foi um evento único, tanto na forma como na substância”, disse Ban a jornalistas em Istambul no segundo e último dia da cúpula. “Temos recursos, conhecimento e percepção para cuidarmos melhor uns dos outros. Mas precisamos de ação, baseada nas cinco principais responsabilidades da Agenda para a Humanidade”, declarou.

Os cinco princípios que guiaram os eventos organizados na conferência foram: (1) Prevenir e pôr fim a conflitos; (2) Respeitar regras de guerra; (3) Não deixar ninguém para trás; (4) Trabalhar de diferentes formas para eliminar carências; e (5) Investir na Humanidade. Acesse o documento na íntegra clicando aqui.

No total, a cúpula reuniu 173 Estados-membros, 55 chefes de Estado e de governo, cerca de 350 representantes do setor privado e mais de 2 mil pessoas da sociedade civil e de organizações não governamentais.

O evento estabeleceu cerca de 1,5 mil compromissos, entre os quais a criação de um fundo educacional para ajudar a fornecer educação de qualidade a crianças e jovens em situação de crise humanitária e um acordo para aumentar a eficiência e a efetividade dos investimentos nas respostas de emergência.

Também foram estabelecidas parcerias globais para preparar melhor 20 dos países com maior risco de crises humanitárias e se estabeleceu a criação de uma coalizão de resiliência que pretende mobilizar 1 bilhão de pessoas para garantir a estabilidade e a segurança de comunidades no mundo todo.

Ausência de líderes de países desenvolvidos

Apesar de ter saudado o resultado da cúpula, o secretário-geral expressou sua decepção com o fato de alguns líderes globais não terem comparecido ao evento, especialmente os países do G7, com exceção da chanceler alemã, Angela Merkel.

“Eles são alguns dos doadores de recursos mais generosos para as ações humanitárias, mas eu peço um maior engajamento, particularmente na busca por soluções políticas”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, completando que “alinhar os interesses de uma constelação tão diversa de atores é inerentemente desafiador”.

O chefe da ONU disse ainda que divisões entre os membros do Conselho de Segurança impediram progresso nos últimos anos, não apenas em questões críticas de guerra e paz, como em temas humanitários.

“É por isso que eu apelo especialmente aos líderes das nações que são membros permanentes do Conselho de Segurança que tomem importantes passos no mais alto nível. Sua ausência desse encontro não pode ser uma desculpa para a inação”, disse.

Falando na cerimônia de encerramento ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, Ban enfatizou que a cúpula não é um ponto de chegada, mas um ponto de virada.

“Em setembro, vou me reportar à Assembleia Geral da ONU sobre as conquistas da cúpula”, disse. “Vou propor formas de levar nossos compromissos adiante por meio de processos intergovernamentais, fóruns entre agências e outros mecanismos”.

Enviado especial da ONU pede mais investimento em ajuda

Na abertura da cúpula, o enviado da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para a Paz e a Reconciliação, Forest Whitaker, pediu a indivíduos, governos e organizações internacionais que ajam coletivamente para melhorar a ação humanitária e invistam mais em ajuda ao desenvolvimento.

“Estamos enfrentando uma crise humanitária de magnitude sem precedentes na história do planeta”, disse o ator norte-americano vencedor do Oscar durante o evento.

“Um dos slogans da cúpula é ‘responsabilidades compartilhadas’, e acredito que é isso que precisamos atingir”, disse Whitaker, que é uma das personalidades escolhidas pelo secretário-geral da ONU para defender a Agência 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O enviado da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para a Paz e a Reconciliação, Forest Whitaker. Foto: ONU

O enviado da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para a Paz e a Reconciliação, Forest Whitaker. Foto: ONU

Na semana passada (20), um grupo de especialistas das Nações Unidas afirmou que os direitos humanos precisam estar presentes em todas as fases da ajuda humanitária: da prevenção ao preparo, às respostas de emergência e recuperação, ajudando a moldar a construção da paz, justiça e o desenvolvimento de medidas para mitigar a possibilidade de novas crises.

“Muitos conflitos poderiam ter sido evitados por meio da maior atenção aos direitos humanos nos estágios iniciais, antes de a violência aparecer”, disseram os especialistas em direitos humanos da ONU.

Os relatores especiais fazem parte do que se conhece como procedimentos especiais do Conselho de Direitos Humanos. “Procedimentos especiais”, o maior órgão de especialistas independentes no sistema de direitos humanos das Nações Unidas, é o nome atribuído aos mecanismos de inquérito e monitoramento independentes do Conselho, que trabalha sobre situações específicas de cada país ou questões temáticas em todas as partes do mundo.