Banco Mundial: 90% das novas empresas brasileiras têm acesso a crédito para crescer e inovar

Segundo estudo, Brasil é um dos países na América Latina onde as empresas têm mais acesso a crédito, perdendo apenas para a Bolívia, mas ainda precisa melhorar em termos de investimento em pesquisa e criação de patentes.

Yluska Rocha trabalhou como doméstica quando chegou a Brasília, há 20 anos, e hoje tem um bufê de festas: capacitação e crédito foram fundamentais. Foto: Mariana Ceratti/Banco Mundial

Yluska Rocha trabalhou como doméstica quando chegou a Brasília, há 20 anos, e hoje tem um bufê de festas: capacitação e crédito foram fundamentais. Foto: Mariana Ceratti/Banco Mundial

O Brasil vai bem quando o tema é financiamento de novas empresas, mas ainda precisa melhorar em termos de investimento em pesquisa e criação de patentes, é o que diz o novo estudo do Banco Mundial, “Empreendedores Latino-americanos”.

Segundo o documento, um em cada três latino-americanos trabalha por conta própria e 50% dos fundadores de pequenas empresas montaram um negócio em busca de melhores oportunidades profissionais.

“Num comparativo com outras regiões e com países de alta renda, as pequenas empresas da América Latina são as que mais tendem a continuar assim 40 anos depois de sua fundação”, avaliou o economista-chefe do Banco Mundial na América Latina, Augusto de La Torre, durante o lançamento do estudo, em Miami.

No Brasil, são 7,6 milhões de pequenos negócios. Desses, 23% das empresas registradas são de famílias e 32% são tocadas pelos próprios fundadores. Esses são os maiores percentuais encontrados na América Latina e no Caribe, segundo o relatório.

O Brasil ainda é um dos países latino-americanos onde as novas empresas têm mais acesso a crédito (90%), de acordo com o estudo, perdendo apenas para a Bolívia, onde esse percentual é de quase 100%.

Os empreendedores brasileiros ainda têm em comum o fato de preferirem os setores de comércio (49% dos pequenos negócios) e serviços (31%) ante os de indústria (15%) e construção civil (5%). Os dois primeiros acabam saindo na frente por exigirem menos investimentos iniciais, por exemplo.

Em compensação, nem sempre as empresas dessas áreas têm condições de crescer, gerar mais empregos, investir em pesquisa e desbravar novos mercados.

O relatório atribui essa limitação à falta de mão de obra qualificada em todas as áreas – sobretudo em engenharia –, à burocracia que dificulta a assinatura de contratos e aos baixos investimentos estatais em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, investe só 1% do PIB na área, ante 0,5% da América Latina.