Dois relatórios lançados pelo Banco Mundial nesta quarta-feira (7) em Brasília (DF) discutem caminhos para a criação de empregos de qualidade e para o crescimento econômico sustentável no Brasil.
O primeiro deles aborda a produtividade brasileira, que caiu 1% entre 1996 e 2015. Segundo o estudo, melhorá-la não significa fazer as pessoas trabalharem mais horas, mas aumentar a eficiência no uso dos recursos do país.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Dois relatórios lançados pelo Banco Mundial nesta quarta-feira (7) em Brasília (DF) discutem caminhos para a criação de empregos de qualidade e para o crescimento econômico sustentável no Brasil.
O primeiro deles aborda a produtividade brasileira, que caiu 1% entre 1996 e 2015. Segundo o estudo, melhorá-la não significa fazer as pessoas trabalharem mais horas, mas aumentar a eficiência no uso dos recursos do país.
Para isso, é importante eliminar subsídios, reduzir as barreiras à concorrência externa e doméstica e promover a reforma tributária, entre outras medidas, apontou o organismo internacional.
De acordo com o economista Mark Dutz, organizador do relatório, as ineficiências do Brasil custam caro para a população. Segundo ele, os benefícios dessas mudanças superariam em muito as perdas para determinados grupos.
“Se o Brasil reduzisse suas barreiras ao comércio, seria possível tirar quase 6 milhões de pessoas da pobreza e criar mais de 400 mil empregos, por exemplo. Além disso, se a taxa de aumento da produtividade passasse ao nível registrado nos anos 1960 e 1970, o Brasil poderia crescer cerca de 4,5% ao ano.”
Do contrário, o Brasil tem poucas chances de manter os ganhos sociais conquistados desde o começo dos anos 2000, de acordo com o Banco Mundial. Além disso, a taxa de crescimento econômico esperado pode se limitar a apenas 1,3% em 2030.
Futuro da economia brasileira
O futuro da economia do país e seus impactos no mercado de trabalho interessam sobretudo os jovens, que são o tema do segundo relatório. De acordo com o Banco Mundial, mais da metade dos brasileiros entre 15 e 29 anos está em “risco de desengajamento”, ou seja, de não estar na escola nem no mercado de trabalho.
Cerca de 11 milhões não estudam nem trabalham. Quase 14 milhões estudam ou trabalham, mas apresentam atrasos grandes na aprendizagem ou estão em empregos onde têm poucas oportunidades de acumular competências relevantes para um mercado que está cada vez mais exigente e competitivo.
Rita Almeida, economista autora do relatório, abordou algumas medidas que poderiam ajudar a reverter esse quadro. “É urgente melhorar a qualidade da educação para esses jovens. A reforma do ensino médio é um passo muito importante, mas pode ser feito ainda mais para evitar a evasão escolar, e melhorar a qualidade do aprendizado na sala de aula para os jovens”, declarou.
“Além disso, é importante reorientar as políticas do mercado de trabalho para melhorar os resultados dos programas de treinamento e dos serviços de colocação de emprego de forma a apoiá-los numa melhor transição para o mercado de trabalho.”
Segundo os estudos, as reformas para diminuir subsídios, possibilitar mais investimentos para inovação e start-ups, promover mais abertura comercial e aumentar a produtividade também podem favorecer os jovens brasileiros.
Acesse os relatórios:
Competências e empregos: uma agenda para a juventude
Emprego e crescimento : a agenda da produtividade