Banco Mundial financia transporte rodoviário e serviços públicos no Tocantins

O Banco Mundial financia o Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável (PDRIS) no Tocantins, cujo objetivo é promover uma maior eficácia do transporte rodoviário e uma maior eficiência dos serviços públicos no estado.

Segundo o organismo internacional, o aumento da eficácia dos serviços de transporte rural melhorará a acessibilidade das populações remotas do estado e, ao mesmo tempo, promoverá a integração econômica regional.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Marcos Ribeiro, quase com lágrimas nos olhos, explica à equipe do Banco Mundial as imensas oportunidades que vê para a agricultura moderna, ecológica. O jovem produtor de frutas tropicais está diante de sua pequena propriedade, a cerca de 15 km de Palmas, capital de Tocantins, o mais jovem estado brasileiro.

“Estamos a 20 minutos de caminhão de uma cidade de 250 mil habitantes, a cerca de 20 km do aeroporto, e a uns 800 km do grande mercado consumidor de Brasília. Temos água e sol o ano inteiro. Só precisamos reparar as bombas de irrigação para conseguir um retorno de 40% sobre o nosso investimento”, diz ele.

Marcos e outros produtores revitalizaram a associação de usuários do sistema de água, e estão dispostos a assinar um contrato com o governo estadual — ao qual pertence a infraestrutura de irrigação — e pagar uma taxa de uso para recuperar o investimento, a operação e os custos de manutenção. Estão até pensando em pedir um empréstimo para financiar a instalação de painéis solares destinados a substituir a onerosa energia da rede que alimenta as bombas.

A reparação das bombas é um dos investimentos financiados pelo Banco Mundial no contexto do Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável (PDRIS) no Tocantins, um empréstimo de 300 milhões de dólares ao governo do estado.

O projeto multissetorial é construído em torno da importância da conectividade para o desenvolvimento econômico. Seu principal componente financia a reabilitação de estradas estaduais e municipais, concentrando-se em ligar a parte oeste do estado a seu principal eixo norte-sul.

Tocantins está no coração da nova fronteira agrícola do Brasil. Seus principais produtos são soja, milho e gado. Uma concessão ferroviária, operada por uma empresa de logística integrada, de propriedade majoritária da Vale, recebe cerca de 6 milhões de toneladas de grãos em dois imensos terminais ferroviários situados no centro do estado e as transporta até o seu próprio terminal portuário de São Luís, cerca de 1 mil km ao norte.

Espera-se que em breve a ferrovia Norte-Sul esteja operando plenamente desde Anápolis (GO), próximo a Brasília. Também há planos de investimentos em grande escala no Tocantins para construir capacidade de processamento de carne no estado e instalar frigoríficos para seu armazenamento ao longo dos terminais ferroviários. O componente de assistência técnica do PDRIS ajuda o estado a planejar suas necessidades logísticas.

Custos da conectividade

No entanto, a conectividade tem seus custos. Ao longo do principal corredor Norte-Sul, a prostituição de adolescentes e o trabalho infantil acompanharam o aumento do tráfego de caminhões.

Diante desse cenário, o PDRIS financia a reabilitação de seis escolas-piloto ao longo da rodovia, além de capacitar professores e introduzir a escolaridade em tempo integral.

A ideia é que um ambiente mais limpo e agradável, com professores bem preparados, possa incentivar as crianças a continuarem a estudar, enquanto a formação especial para os professores possa ajudá-los a lidar melhor com a prostituição, as drogas e outros desafios trazidos pela conectividade.

Outro foco de atenção da instituição é a Ilha de Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, com 130 km de norte a sul no Rio Araguaia. Cerca de dois terços da ilha são territórios indígenas demarcados que abrigam milhares de pessoas das tribos Karajá, Javaé e Krahô-Kanela.

Após longo processo de consulta pública, os moradores identificaram os 30 km de estrada de terra que ligam as duas aldeias como prioridade para o investimento no contexto do projeto. A estrada permite que os moradores das aldeias se desloquem e cheguem ao ferry que os leva até a cidade mais próxima, situada no lado oposto ao extremo sul da ilha.

Tradicionalmente, o principal meio de transporte era o fluvial, única opção na estação das chuvas. Os moradores das aldeias querem elevar a estrada e cobri-la com brita para conseguirem transitar mesmo quando as águas sobem.

Após as consultas, o Banco Mundial concluiu que o custo do investimento necessário seria alto e a justificativa econômica, duvidosa. No entanto, a instituição considerou a existência de fundamentos não econômicos, como uma maior conexão da população indígena com a cidade.

No entanto, a instituição também recebeu demanda para outro tipo de conectividade que é de pouco interesse para os indígenas, mas atrativa para os grandes produtores de soja do outro lado do Araguaia, no Mato Grosso.

Esses produtores demandam a construção de uma estrada atravessando a Ilha de Bananal para acesso mais rápido à ferrovia Norte-Sul e dali aos mercados para os quais exportam na Europa e na Ásia.

Para o Banco Mundial, o PDRIS não será capaz de resolver esse conflito. Mas está claro para a instituição que o Brasil precisa de ambas as soluções: conectividade com os mercados globais para tornar o país mais competitivo e políticas capazes de garantir que a primeira não seja obtida em detrimento do meio ambiente e que criem reais benefícios para as comunidades locais.

Segundo o organismo internacional, o projeto é uma tentativa de começar a refletir sobre essas questões de maneira integrada.