Banco Mundial gera empregos e evita desperdício de alimentos no semiárido de Pernambuco

Projeto de agroindústria do Banco Mundial e governo do estado transformou a perda de frutas no município de Flores em um empreendimento de polpas congeladas com capacidade de 12 toneladas.

Ivanilda Barbosa (à dir.) e Maria José Alves trabalham na agroindústria de polpas de frutas em Pernambuco. Foto: Banco Mundial/Mariana Kaipper Ceratti

Ivanilda Barbosa (à dir.) e Maria José Alves trabalham na agroindústria de polpas de frutas em Pernambuco. Foto: Banco Mundial/Mariana Kaipper Ceratti

À fruta posta no lixo é necessário somar o trabalho de um agricultor, diversos nutrientes e uma série de recursos: água, energia e adubo, entre outros. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), 45% das frutas e vegetais produzidos do mundo são desperdiçados a cada ano. Só de maçãs, são 3,7 trilhões.

O problema pode ocorrer tanto durante o plantio quanto depois da colheita, nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Enquanto na América do Norte o desperdício ocorre muito mais na última fase, a América Latina perde a maior parte de suas frutas e vegetais logo no início da produção: cerca de 20% na fase de plantio e quase 10% entre a colheita e o processamento. O dado é da Save Food – Iniciativa Global para Reduzir o Desperdício de Alimentos, também da FAO.

Preocupada com este cenário, a região vem investindo em projetos de melhoria e capacitação para evitar essa perda, principalmente entre os pequenos agricultores. Em Flores, cidade no semiárido de Pernambuco, as frutas ganharam maior vida útil ao transformar-se em polpas congeladas. Um quilo de polpa de manga chega a custar oito vezes mais que a mesma medida do produto sem beneficiamento.

Ivanilda Barbosa, 45 anos, presidente da Associação de Mulheres Agricultoras do Saco dos Henriques, encontrou na fabricação de polpas a solução para vários problemas, não só o do desperdício. Até 2007, a comunidade vendia apenas as frutas in natura e nem sempre conseguia escoar toda a produção. “Elas eram desperdiçadas e acabavam ficando no roçado sem benefício algum, só adubando a terra. Pensávamos que poderíamos ganhar alguma renda com elas e começamos a fabricar polpas de frutas artesanalmente”, lembra Ivanilda.

O trabalho foi se sofisticando aos poucos, e hoje as 14 mulheres e dois homens envolvidos no empreendimento se orgulham da pequena agroindústria que estão montando, com capacidade de fabricar até 12 toneladas por ano.

Construída com apoio do Banco Mundial e do governo de Pernambuco, a agroindústria não só se encarrega do beneficiamento como também refrigera as frutas que não puderem virar polpa imediatamente. Os ingredientes básicos são cultivados pelos associados ou comprados de grupos nos arredores de Flores.