Banco Mundial libera US$ 40 milhões para projeto de agricultura sustentável em Moçambique

Iniciativa vai beneficiar mais de 20 mil coletivos familiares, principalmente as agricultoras mulheres, garantindo acesso a novas tecnologias de produção, insumos e títulos de terra. Moçambique possui cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, mas mau uso do solo tem esgotado recursos naturais.

Financiamento do Banco Mundial vai beneficiar coletivos familiares e principalmente mulheres que vivem da agricultura e dos recursos naturais em Moçambique. Foto: FAO

Financiamento do Banco Mundial vai beneficiar coletivos familiares e principalmente mulheres que vivem da agricultura e dos recursos naturais em Moçambique. Foto: FAO

O Banco Mundial aprovou nesta quinta-feira (30) a liberação de 40 milhões de dólares para um projeto nacional de agricultura e gestão sustentável dos recursos naturais em Moçambique. Desse montante, 26 milhões serão doados.

A iniciativa vai beneficiar mais de 20 mil coletivos familiares — principalmente as agricultoras mulheres —, garantindo acesso a novas tecnologias de produção agrícola, insumos e títulos de terra.

Com o apoio do organismo financeiro, cerca de 100 agricultores comerciais pequenos e emergentes e outras 25 pequenas, médias e grandes empresas também terão acesso a subvenções, financiamento comercial e suporte técnico no desenvolvimento e expansão dos negócios.

Além disso, o projeto vai modernizar a infraestrutura rural do país, melhorando as condições de vida de um número significativo de beneficiários indiretos.

A parceria entre o Banco Mundial e o governo moçambicano busca reduzir a pobreza em um país que conseguiu expandir sua economia nas últimas duas décadas sem, no entanto, fortalecer as atividades de produção locais.

Segundo a agência da ONU, a nação africana enfrenta agora o desafio de ampliar setores de trabalho intensivo, como a agricultura e a silvicultura — segmentos com potencial para promover desenvolvimento econômico com inclusão.

Em Moçambique, essas atividades econômicas são promissoras, especialmente porque o país possui cerca de 36 milhões de hectares de terra arável e 40 milhões de florestas naturais. O mau uso dos recursos naturais, porém, ameaça esgotar essa fonte de riqueza: 220 mil hectares de florestas naturais são perdidos a cada ano e a erosão é generalizada no território.

Em sua primeira fase, o programa vai se concentrar nas províncias com altos níveis de pobreza e potencial agrícola e florestal do centro e do norte de Moçambique.

“A agricultura pode ter impactos positivos ou negativos sobre os recursos naturais dependendo das práticas adotadas e seus efeitos sobre a cobertura da terra e dos ecossistemas”, explicou o coordenador da equipe do Banco Mundial responsável pela iniciativa, Mark Austin.

“Esse projeto incentiva práticas agrícolas sustentáveis e procura aumentar a produtividade, reforçando simultaneamente a resiliência dos recursos naturais e dos sistemas produtivos.”

A iniciativa do Banco Mundial está alinhada com o plano quinquenal do governo de Moçambique para o período 2015-2019 e com as metas do próprio organismo financeiro para erradicar a pobreza extrema e estimular a prosperidade partilhada no mundo.