O Banco Mundial rebaixou sua previsão de crescimento global em 2016 para 2,4%, na comparação com os 2,9% projetados em janeiro, diante de crescimento lento das economias avançadas, preços baixos dos produtos básicos, comércio global fraco e retração dos fluxos de capital.
Para o Brasil, a previsão é de recuo de 4% da economia em 2016, com continuidade da recessão em 2017.

Desvalorização das commodities no mercado global teve impactos sobre os lucros do Brasil com exportações. Foto: Imprensa / GEPR
O Banco Mundial rebaixou sua previsão de crescimento global em 2016 para 2,4%, na comparação com os 2,9% projetados em janeiro, diante de crescimento lento das economias avançadas, preços baixos dos produtos básicos, comércio global fraco e retração dos fluxos de capital.
De acordo com a última atualização do seu relatório Perspectivas Econômicas Globais, os países emergentes exportadores de matérias-primas têm se empenhado para se adaptar aos preços mais baixos do petróleo e de outros produtos básicos, fator responsável pela metade da revisão desfavorável. A projeção é que o crescimento dessas economias avance 0,4% este ano, ou seja, 1,2 ponto percentual a menos na comparação com a previsão de janeiro.
“Esse crescimento lento ressalta por que é criticamente importante que os países adotem políticas que impulsionem o crescimento econômico e melhorem as condições das pessoas que vivem em extrema pobreza,” afirmou Jim Yong Kim, presidente do grupo Banco Mundial.
“O crescimento econômico continua a ser o impulsor mais importante da redução da pobreza e por isso estamos muito preocupados com o fato de o crescimento estar diminuindo consideravelmente nos países em desenvolvimento exportadores de produtos básicos devido aos baixos preços.”
Os mercados emergentes importadores de matérias-primas têm sido mais resilientes do que os exportadores, embora os benefícios dos preços mais baixos da energia e de outros produtos básicos levem tempo para se concretizar. Segundo as previsões, essas economias deverão expandir-se a uma taxa de 5,8% em 2016, modesta redução comparada ao ritmo de 5,9% previsto para 2015, uma vez que os baixos preços da energia e a recuperação modesta das economias avançadas apoiam a atividade econômica.
Entre as principais economias de mercado emergentes, prevê-se que a China cresça a uma taxa de 6,7% em 2016, em comparação com 6,9% no ano passado. A robusta expansão econômica da Índia deverá manter-se inalterada em 7,6% enquanto o Brasil (queda de 4%) e a Rússia deverão permanecer em recessões mais profundas do que as previsões de janeiro. Segundo as previsões, a África do Sul deverá crescer a uma taxa de 0,6% em 2016, ou seja, 0,8 de um ponto percentual mais lentamente do que a previsão de janeiro.
Segundo o relatório, um aumento significativo no crédito do setor privado — impulsionado por uma era de baixas taxas de juros e, mais recentemente, aumento das necessidades financeiras — intensifica os riscos potenciais para vários mercados emergentes e economias em desenvolvimento.
“Enquanto as economias avançadas lutam para se firmar, tanto a maioria das economias do Sul e do Leste da Ásia como as economias de países emergentes importadores de produtos básicos no mundo inteiro crescem de forma sólida,” afirmou Kaushik Basu, economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco Mundial.
“No entanto, um fenômeno que merece cautela é o rápido aumento da dívida privada em várias economias emergentes e em desenvolvimento. Na sequência de um surto de empréstimos não é raro se quadruplicarem empréstimos bancários inadimplentes como parcela de empréstimos brutos.”
De acordo com o Banco Mundial, em um ambiente de crescimento anêmico, a economia global enfrenta riscos pronunciados, entre os quais maior desaceleração nos principais mercados emergentes e mudanças acentuadas no sentimento do mercado financeiro.
O Banco Mundial citou ainda a estagnação em economias avançadas, um período mais longo do que o previsto de baixos preços de produtos básicos, riscos geopolíticos em diferentes partes do mundo e preocupações sobre a eficácia da política monetária em promover um crescimento mais forte.
Leste Asiático e Pacífico
O crescimento do Leste Asiático e região do Pacífico deverá cair a uma taxa não revisada de 6,3% em 2016. Prevê-se que a expansão da China diminua para 6,7%, conforme projetado em janeiro.
Segundo as projeções, essa região, com exceção da China, deverá crescer a uma taxa de 4,8% em 2016, sem alteração em comparação à taxa de 2015.
O crescimento no restante da região deverá ser apoiado por um investimento crescente em várias economias grandes (Indonésia, Malásia e Tailândia) e um sólido consumo apoiado por baixos preços de produtos básicos (Tailândia, Filipinas e Vietnã).
Europa e Ásia Central
A contínua contração na Rússia está mantendo a taxa de crescimento prevista para a região em 1,2% em 2016, ou seja, uma alteração desfavorável de 0,4 ponto percentual com relação à previsão de janeiro. Preocupações geopolíticas, inclusive rompantes de violência no leste da Ucrânia e no Cáucaso, bem como ataques terroristas na Turquia, pesam nas perspectivas.
Com exclusão da Rússia, prevê-se taxa de expansão de 2,9%. As projeções de crescimento da parte ocidental da região foram reduzidas com relação às perspectivas de janeiro à medida que os países se ajustam a preços mais baixos do petróleo, metais e produtos agrícolas básicos. A atividade na parte ocidental da região se beneficiará do crescimento moderado na zona do euro e da intensificação da demanda interna, ajudada por custos modestos dos combustíveis.
América Latina e Caribe
Segundo as previsões, a região sofrerá uma contração de 1,3% em 2016 após um declínio de 0,7% em 2015, os primeiros anos seguidos de recessão em mais de 30 anos. Segundo projeções, a expansão deverá começar novamente em 2017, ganhando gradualmente impulso para alcançar cerca de 2% em 2018.
As perspectivas variam entre os países da região. Prevê-se que a América do Sul sofra uma contração de 2,8% neste ano, seguindo-se uma leve recuperação em 2017.
Apoiado por vínculos com os Estados Unidos e um nível sólido de exportações, o México e sub-região da América Central e do Caribe deverão crescer 2,7% e 2,6%, respectivamente, em 2016 e mais em 2017 e 2018.
Além da contração de 4% em 2016, o Brasil deverá registrar continuidade da recessão em 2017, em meio às tentativas de arrocho fiscal, aumento do desemprego, redução da renda real e incerteza política.
Oriente Médio e Norte da África
Segundo as previsões, o crescimento na região deverá ter uma elevação modesta de 2,9% em 2016, o que representa 1,1 ponto percentual a menos do que previsto na perspectiva de janeiro.
A revisão desfavorável surge à medida que os preços do petróleo se apresentam mais baixos durante o ano, a uma média de 41 dólares por barril.
A razão principal da leve melhoria no crescimento regional em 2016 é uma sólida recuperação prevista para o Irã após a remoção das sanções em janeiro. Prevê-se uma reativação dos preços médios do petróleo em 2017 para apoiar uma recuperação do crescimento regional de 3,5% em 2017.
Sul da Ásia
De acordo com as previsões, o crescimento no Sul da Ásia deverá atingir 7,1% em 2016, apesar do crescimento mais fraco do que o previsto nas economias avançadas, o que reduziu o aumento das exportações na região.
A atividade permaneceu resiliente, uma vez que demanda interna, o principal impulsor do crescimento, continuou robusta.
A Índia, a maior economia da região, mostrou uma atividade fortalecida, o mesmo ocorrendo com o Paquistão, Bangladesh e Butão. A maioria das economias do Sul da Ásia beneficiou-se do declínio dos preços do petróleo, baixa inflação e fluxos constantes de remessas.
África Subsaariana
Prevê-se que o crescimento na África Subsaariana sofra retração novamente em 2016 para 2,5%, em comparação com os 3% estimados para 2015, uma vez que os preços dos produtos básicos deverão permanecer baixos, a atividade global deverá ser fraca e as condições financeiras, restritas.
Não se prevê que os exportadores de petróleo experimentem aumento significativo no consumo, embora uma inflação mais baixa nos países importadores de petróleo deva apoiar a despesa dos consumidores.
No entanto, a inflação dos preços de alimentos em consequência da seca, o alto desemprego e o efeito da desvalorização da moeda poderão anular parte desta vantagem. Prevê-se que o aumento do investimento diminua em muitos países à medida que os governos e investidores reduzam ou retardem as despesas de capital em um contexto de consolidação fiscal.