Barco que transportava migrantes na costa de Maiote vira, deixando seis mortos e outros dez desaparecidos

Travessia entre Comores e o território francês de Maiote é rota de migração para aqueles que buscam escapar de conflitos, pobreza e perseguição.

Barco transportando requerentes de asilo e migrantes no mar Mediterrâneo. Foto: ACNUR / L.Boldrini

Seis pessoas morreram e dez ainda estão desaparecidas depois que uma pequena embarcação levando 24 pessoas virou na segunda-feira (8) na costa do território francês de Maiote, no Oceano Índico.

“O naufrágio é um lembrete dos riscos enfrentados por pessoas desesperadas para escapar de conflitos, pobreza e perseguição”, observou Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), para os jornalistas em Genebra.

“Como no Mediterrâneo e no Golfo de Aden, os mares ao redor de Maiote são palco de movimentos irregulares de migrantes e refugiados em busca de uma vida melhor ou proteção de perseguição e guerra”, acrescentou.

Esta é a segunda tragédia em um mês, elevando para 69 o número de pessoas mortas ou desaparecidas em incidentes na costa de Maiote este ano.

Durante décadas, as pessoas têm utilizado pequenos vasos abertos conhecidos como “kwassa-kwassa” para navegar de Comores, entre a costa oriental de África e Madagáscar, para o território francês de Maiote. A maioria destas travessias ocorrem sem a documentação necessária e envolvem risco considerável. Os requerentes de asilo são responsáveis por uma pequena proporção desse movimento, mas os seus números têm aumentado nos últimos dois anos.

Segundo o ACNUR, havia cerca de 1.200 pedidos de asilo em Maiote no ano passado, 41% a mais que em 2010. A maior proporção de candidatos — cerca de 90% — veio de Comores, enquanto cidadãos da República Democrática do Congo, Madagáscar, Ruanda e Burundi formam os demais 10%.