Se o objetivo era enfraquecer o Hamas, a medida não obteve sucesso. O setor público, administrado pelo grupo, foi responsável por 70% do crescimento econômico em um ano.
O desemprego na Faixa de Gaza atingiu 45,2% no segundo semestre de 2010 – um dos mais elevados do mundo – e o salário real caiu aproximadamente 34,5% desde 2007, quando Israel impôs um bloqueio à região, aponta novo relatório da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês).
“É difícil compreender a lógica de uma política que empobrece tanta gente e condena centenas de milhares de pessoas potencialmente produtivas a uma vida de penúria”, disse o Porta-Voz da UNRWA, Chris Gunness.
De acordo com o documento, o setor privado foi o mais atingido. As empresas fecharam mais de oito mil postos de trabalho no segundo semestre de 2010, um declínio de aproximadamente 8% em relação ao primeiro semestre. Em contrapartida, o setor público, que é dominado pelo Hamas, cresceu quase 3% no mesmo período.
O bloqueio foi imposto por chamadas razões de segurança depois que o Hamas, que não reconhece o direito de existência de Israel, depôs o Fatah na Faixa de Gaza em 2007. Os dois grupos chegaram a um acordo no mês passado para formar um governo de unidade nacional e promover eleições dentro de um ano.
“O que mais impressiona é que o setor público foi responsável por 70% do crescimento desde o segundo semestre de 2009, apesar da flexibilização do bloqueio”, acrescentou Gunness. “Se o objetivo da política era enfraquecer o Hamas, os números sugerem que ela falhou. Mas, seguramente, tem sido muito bem sucedida em punir os mais pobres dos pobres do Oriente Médio.”
“O número de pessoas que buscam ajuda da ONU por viverem abaixo da linha da pobreza – com um dólar por dia – triplicou desde o bloqueio e, com tantos projetos de reconstrução aguardando aprovação, o futuro parece desolador”, avaliou o Porta-Voz.
”Em meio à crise econômica, a UNRWA continuará o trabalho humanitário nas areas de saúde e educação, gerindo escolas para cerca de 213 mil crianças na Faixa de Gaza, acreditando num futuro digno e de paz”, garantiu Gunness.