Bombas e ameaças de sequestro: um dia na vida de uma funcionária da ONU na Síria

Funcionária da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos conta como a situação no país piora cada vez mais.

Bairro de Baba Amr na Síria. Foto: OCHA/Atiqul Hassan

Bairro de Baba Amr na Síria. Foto: OCHA/Atiqul Hassan

Muitos funcionários da ONU vão para lugares considerados perigosos, mas aqueles que estão na Síria vêm enfrentando condições de trabalho extremamente desgastantes em um território considerado um campo de combate aberto.

Essa é a realidade para os funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) desde que houve o levante contra o presidente Bashar al-Assad em março de 2011.

Segundo uma funcionária da agência, ela e seus colegas de trabalho mantêm seu serviço aos refugiados em meio ao som constante de explosões. Ela conta que um dos episódios mais angustiantes foi quando o bairro Baba Amr, vizinho ao que está instalada, foi palco de violentos combates.

“Quando eles estavam lutando em Baba Amr, as bombas passavam sobre as nossas cabeças e nós fazíamos contagem regressiva para ouvir as explosões. Nosso prédio ficou tremendo e nossas janelas quebraram”, disse ela, que depois de dois anos de conflito já se acostumou com morteiros e tanques de guerra.

A funcionária da agência diz que trabalha atualmente um mínimo de 12 horas por dia. O tempo extra é necessário para visitar as instalações que ela monitora e organizar a entrada e saída de pessoas deslocadas.

Logo no início do combate, ela havia fugido de sua casa, localizada em outro bairro, para fixar residência perto dos escritórios da agência, fixado em um território que não tem sido foco de luta.

Apesar da relativa calma dentro do campo, há regras de segurança muito rígidas. Todas as noites e todas as manhãs, o escritório analisa a situação para determinar quais instalações são possíveis de visitar. Os funcionários que moram fora do campo muitas vezes são aconselhados a ficar em casa.

Aqueles que são esperados na parte da manhã e não aparecem podem ter sido “sequestrados, desapareceram, foram detidos… estamos diante de tais casos todos os dias”, disse ela.

Depois de verificar a segurança de todos os funcionários, o escritório começa a receber os refugiados e tentar satisfazer as suas necessidades, incluindo ajuda de emergência na forma de dinheiro e pacotes de comida. Uma seção recém-criada registra pessoas oriundas de outras áreas por causa da crise.

O escritório não tem eletricidade. Por essa razão, tarefas administrativas, comunicação, registro de dados e qualquer outra ação que necessite de um computador devem ser feitas em um período de duas horas na parte da manhã, o qual a equipe concordou ser o melhor momento para ligar o gerador, que tem uma quantidade limitada de combustível.

Apesar de todas as precauções, os funcionários permanecem extremamente vulneráveis. Um deles foi sequestrado com seu carro há algumas semanas durante o caminho do trabalho para casa e o resgate ainda está sendo negociado. “Até agora ele está sequestrado e não sabemos onde está.”