Quatorze países da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil, foram os primeiros a assinar o “Acordo de Escazú” sobre acesso a informação, participação pública e Justiça em assuntos ambientais na região. A assinatura aconteceu na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, durante o debate geral do 73º período de sessões da Assembleia Geral da ONU.
O Acordo de Escazú busca assegurar que todas as pessoas tenham acesso a informação oportuna e confiável, possam participar de maneira efetiva das decisões que afetam suas vidas e seu entorno e acessar a Justiça em assuntos ambientais, contribuindo assim para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Segundo a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alícia Bárcena, o acordo é inovador e importante para a região, porque possui um artigo que se refere à proteção dos defensores dos direitos humanos em assuntos ambientais.
A quilombola Maria do Socorro Silva luta contra a degradação ambiental causada pela maior refinaria de alumínio da Amazônia, no Pará. Foto: Thom Pierce/Guardian/Global Witness/ONU Meio Ambiente
Quatorze países da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil, foram os primeiros a assinar o “Acordo de Escazú” sobre acesso a informação, participação pública e Justiça em assuntos ambientais na região. A assinatura aconteceu na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, no marco do debate geral do 73º período de sessões da Assembleia Geral da ONU.
O Acordo de Escazú tem como objetivo apoiar a aplicação do Princípio 10 da Declaração sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento na América Latina e no Caribe. Assinada na Conferência Rio-92, a declaração estabelece 27 princípios sobre a relação entre meio ambiente e desenvolvimento, entre os quais o Princípio 10, que dispõe sobre os direitos de acesso a informação, participação pública e Justiça em assuntos ambientais.
O tema foi retomado às margens da Conferência Rio+20, com o objetivo de estabelecer padrão mínimo de aplicação desse princípio na região latino-americana e caribenha. A partir de 2012, iniciou-se o processo de negociação do acordo regional, no âmbito da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), do qual participaram 24 países. O processo negociador compreendeu um total de nove rodadas, em diferentes países, uma das quais foi realizada em Brasília, em março de 2017. A negociação do acordo foi concluída em 3 de março passado, em São José, Costa Rica.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil participou ativamente dos trabalhos que concluíram o Acordo de Escazú e manteve amplo exercício de consultas com representantes de governo, da sociedade e da academia, para a construção das posições nacionais. “A assinatura brasileira reafirma o compromisso histórico do país com o multilateralismo e o desenvolvimento sustentável”, disse o ministério em comunicado.
O acordo foi aberto a assinaturas na quinta-feira (27), para posterior ratificação. A ratificação, aceitação ou aprovação poderá ser feita depois da assinatura. Para entrar em vigor, o acordo precisa de 11 Estados-partes.
At #UNGA, #Brazil reaffirms its commitment with #multilateralism & #SustainableDevelopment by signing the #EscazúAgreement, the 1st regional agreement on environmental matters in Latin America & the Caribbean. 🇧🇷🌎
Learn more ➡️ https://t.co/CbxBeuaITR #CEPAL #ECLAC #ALC pic.twitter.com/qcF6Cn8wgx— Brazil Mission UN (@Brazil_UN_NY) 27 de setembro de 2018
Em cerimônia realizada na manhã de quinta-feira na sede da ONU em Nova Iorque, chefes de Estado e ministros dos seguintes países assinaram o acordo: Antígua e Barbuda, Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador, Guatemala, Guiana, México, Panamá, Peru, Santa Lúcia e Uruguai. À tarde, República Dominicana e Haiti também assinaram o instrumento legal.
A secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, disse às autoridades presentes na cerimônia que se tratava de um dia histórico para a igualdade ambiental na região. “Depois de seis anos de intensa preparação, o Acordo de Escazú foi adotado em 4 de março passado na Costa Rica, com a significativa participação do público. Hoje, 27 de setembro, vocês estão dando um passo decisivo para obter uma maior democracia ambiental e para fazer deste acordo uma realidade”, disse.
A alta funcionária das Nações Unidas lembrou também que além de ser um acordo entre Estados, é também um pacto entre o Estado e suas sociedades. “Sobretudo, é um acordo para os cidadãos, feito por e para as pessoas”, disse.
Durante a coletiva de imprensa, Bárcena explicou também que o processo do acordo é inovador porque incorporou a sociedade civil em seu conjunto, ou seja, todos aqueles grupos que representam o “interesse público”. Destacou também que este tratado possui um artigo muito relevante, que nenhum outro tratado anterior incluiu especificamente, que é a proteção dos defensores dos direitos humanos em assuntos ambientais.
Bárcena explicou que o processo de assinatura do tratado se prolongará por dois anos na sede das Nações Unidas, já que se trata de um acordo da ONU e fica depositado oficialmente como parte dos tratados promovidos pela Organização. Após a assinatura, cada país deverá iniciar os trâmites correspondentes para sua ratificação.
O Acordo de Escazú busca assegurar que todas as pessoas tenham acesso a informação oportuna e confiável, possam participar de maneira efetiva das decisões que afetam suas vidas e seu entorno e acessar a Justiça em assuntos ambientais, contribuindo assim para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.