Diretora-geral da Organização Mundial da Saúde afirmou que o vírus está se disseminando “explosivamente”. Brasil registrou o primeiro caso do vírus zika em maio de 2015. Desde então, a doença se espalhou no Brasil e em outros 23 países e territórios da região. Ao todo, 4.180 casos suspeitos de microcefalia foram registrados no Brasil pelo Ministério da Saúde, até 23 de janeiro.

Chegada do vírus em alguns países das Américas, principalmente no Brasil, tem sido associada com o aumento expressivo de nascimentos de bebês com microcefalia e, em alguns casos, síndrome de Guillain-Barré. Foto: Fiocruz
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, anunciou nesta quinta-feira (28) que convocará um Comitê Internacional de Emergência de Regulamento de Saúde sobre o vírus zika e o aumento observado de distúrbios neurológicos e malformações congênitas.
O Comitê se encontrará na segunda-feira, dia 1o de fevereiro, em Genebra para determinar se o surto constitui uma “Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional”.
As decisões referentes aos membros do Comitê e conselhos serão publicadas no site da OMS (who.int).
A diretora-geral da OMS fez um breve histórico sobre o vírus zika, informando que a preocupação relacionada à doença era considerada baixa, com poucos casos reportados e, por isso, difíceis de serem interpretados clinicamente.
“A situação hoje é muito diferente. No ano passado [2015], o vírus foi detectado nas Américas, onde ele está agora se disseminando explosivamente. Até hoje, há casos relatados em 23 países e territórios da região. O nível de alarme é extremamente elevado”, disse Chan.
Em maio de 2015, o Brasil registrou o primeiro caso do vírus zika. Desde então, a doença se espalhou no Brasil e em outros 23 países e territórios da região.
A chegada do vírus em alguns países das Américas, principalmente no Brasil, tem sido associada com o aumento expressivo de nascimentos de bebês com cabeças anormalmente pequenas (microcefalia) e, em alguns casos, síndrome de Guillain-Barré, uma condição pouco compreendida na qual o sistema imunológico ataca o sistema nervoso, às vezes provocando paralisia.
Uma relação casual entre a infeção do vírus zika e a malformação congênita e síndromes neurológicas não foi estabelecida, mas há uma forte suspeita.
Além da possível associação da infecção com as malformações congênitas e síndromes neurológicas, Margaret Chan disse estar preocupada com o potencial em termos de propagação internacional – dada a ampla distribuição geográfica do mosquito vetor –, a falta de imunidade da população em áreas recém-afetadas e a ausência de vacinas, tratamentos específicos e testes de diagnóstico rápidos.
Ações de resposta da OMS
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) vem trabalhando estreitamento com os países afetados desde maio de 2015. A OPAS mobilizou esquipes e membros da Rede Mundial de Alerta e Resposta a Surtos Epidêmicos (GOARN) para dar assistência a ministros da Saúde no fortalecimento de suas habilidades para detectar a chegada e circulação do vírus zika por meio de testagem laboratorial e comunicação rápida.
O objetivo, disse a agência por meio de um comunicado, é garantir diagnóstico clínico preciso e tratamento para pacientes, rastrear a propagação do vírus e o mosquito que o transmite (o Aedes aegypti), bem como promover a prevenção, especialmente através do controle do mosquito.
A agência da ONU está apoiando o aprimoramento e fortalecimento de sistemas de vigilância em países que registraram casos de zika e de microcefalia e outras condições neurológicas que podem estar associadas ao vírus.
O monitoramento também está se intensificando em países para onde o vírus possa se propagar. Nas próximas semanas, a OPAS/OMS convocará especialistas para dar conta dos gargalos críticos no conhecimento científico sobre o vírus e seus efeitos potenciais nos fetos, crianças e adultos.
A OMS informou que vai priorizar o desenvolvimento de vacinas e novos instrumentos para o controle das populações de mosquitos, bem como a melhoria de testes de diagnóstico.
O Ministério da Saúde brasileira orienta as gestantes a adotar medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doença, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.
Testagem no Brasil
Atualmente, a circulação do zika é confirmada no Brasil por meio de teste PCR, com a tecnologia de biologia molecular. A partir da confirmação em uma determinada localidade, os outros diagnósticos são feitos clinicamente, por avaliação médica dos sintomas. O Ministério da Saúde distribuirá 500 mil testes para realizar o diagnóstico de PCR (biologia molecular) para o vírus zika.
Com isso, os laboratórios públicos ampliarão em 20 vezes a capacidade dos exames, passando de mil para 20 mil diagnósticos mensais, anunciou o Ministério na quarta-feira (27).
As primeiras 250 mil unidades têm entrega prevista para fevereiro, inicialmente aos 27 laboratórios, sendo quatro de referência e 23 Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN). A previsão é que os outros 250 mil testes estejam disponíveis a partir do segundo semestre. No total, o Ministério da Saúde investiu 6 milhões de reais para a aquisição dos produtos.
A recomendação do Ministério, conforme Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia, é que sejam priorizadas, para a realização do teste, mulheres grávidas com sintomas do vírus zika, gestantes com bebê microcefálico, além de recém-nascidos com suspeita de microcefalia.
Acesse a página da OPAS/OMS (http://www.paho.org/bra) e do Ministério da Saúde (http://combateaedes.saude.gov.br) para saber mais.