Brasil se destaca nos compromissos firmados com o Protocolo de Montreal

Carlos Castro, coordenador de Desenvolvimento Sustentável do PNUD: “A parceria de mais de 20 anos com o governo brasileiro é fundamental para a implementação do Protocolo no país”.

Pequenas ilhas contribuem para a eliminação de gases nocivos ao meio ambiente. Foto: Escritório do Protocolo de Montreal/NY

“Para mim, o Protocolo de Montreal é vida.” Essa frase de Suely Carvalho, que foi diretora da Unidade do Protocolo de Montreal no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Nova York, define a importância do tratado internacional de 1987, que proíbe a utilização de substâncias que destroem a camada de ozônio, como os clorofluorcabonos (CFCs) e os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs). Veja a entrevista na íntegra no vídeo abaixo.

A camada de ozônio protege a Terra da incidência dos raios solares ultravioletas, nocivos para todos os seres vivos. Nos seres humanos, essa radiação provoca o câncer de pele, que mata milhares de pessoas por ano em todo o mundo, bem como afeta todo o sistema imunológico, minando a resistência humana a doenças como herpes. O Brasil é signatário do Protocolo desde 1990 e contou com o apoio do PNUD para o Plano Nacional de Eliminação de CFCs, concluído em 2012.

Para que o país pudesse alcançar a eliminação definitiva do CFC, o gás mais nocivo à camada de ozônio, o Plano executou diversos projetos de capacitação, institucionalização de normas técnicas, regulamentações e substituição de equipamentos que continham substâncias degradantes da camada de ozônio.

Segundo o coordenador da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do PNUD, Carlos Castro, “a parceria de mais de 20 anos com o governo brasileiro é um fator fundamental para a implementação do Protocolo no país. Desde 1991, as metas e diretrizes têm sido mantidas e cumpridas com êxito, apesar da alternância de governos, algo raro de acontecer”.

“Com a ajuda do PNUD, o governo brasileiro pôde trazer a transferência de tecnologia, para uma quantidade muito grande de pequenas e médias empresas, capacitando, melhorando as práticas ocupacionais. Enfim, trazendo benefícios não só tecnológicos, mas também na manutenção de emprego e de mercados para essas empresas para que elas continuassem competitivas nesse mundo globalizado”, Carvalho complementa.

Em 11 anos de esforços, o Brasil teve um resultado extraordinário, cumprindo a sua meta em 2007, três anos antes do previsto. Por meio de mais de 150 projetos implementados, o país reduziu 9.276 toneladas de gases CFCs.

O sucesso do Plano Nacional de Eliminação dos CFCs levou o Brasil a continuar seu engajamento no Protocolo de Montreal e a instituir o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH). Com o diagnóstico do consumo de HCFCs do país, o PBH, iniciado em 2012, aborda a estratégia brasileira para a eliminação dos HCFCs até 2040, prazo estipulado pelo Protocolo.

Nessa nova fase, o PNUD foi escolhido pelo governo brasileiro como agência implementadora para o setor de espumas de poliuretano, prestando assistência técnica e operacional especializada para implementação das atividades aprovadas pelo Comitê Executivo do Fundo Multilateral para o alcance das metas estabelecidas pelo Protocolo de Montreal.

Como parte das atividades do PBH, o PNUD e o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o governo da Itália, realizaram um seminário sobre Alternativas para o HCFC no setor de espumas – Opções Tecnológicas e Equipamentos, em Chapecó (SC).

O seminário abriu um espaço de interação entre empresas do setor de espumas de poliuretano e fornecedores de equipamentos nacionais e internacionais na discussão de opções de tecnologias que não possuem Potencial de Destruição da Camada de Ozônio para minimizar os impactos ambientais, considerando os impactos na saúde e na segurança humana.