Paulo Sérgio Pinheiro afirma que paralisia da comunidade internacional alimenta a impunidade no país. Mais de 100 mil pessoas já foram mortas desde março de 2011.

Presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
O presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, o diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou nesta segunda-feira (29) que a falta de ações decisivas pelos Estados-Membros da ONU tem consolidado a cultura de impunidade dentro do país do Oriente Médio.
“O fato de os civis sofrerem ataques ilegais contínuos deveria chocar suas consciências e estimulá-los à ação. Mas não estimularam”, disse Pinheiro para a Assembleia Geral da ONU. “Enquanto o conflito se arrasta, os senhores – e o mundo – se acostumam a níveis de violência que antes eram impensáveis. A falta de uma ação decisiva, pela comunidade dos Estados como um todo, tem alimentado a cultura de impunidade que se desenvolveu dentro da Síria hoje.”
O brasileiro ressaltou que os que seguem perpetuando violações dos direitos humanos não parecem ter qualquer receio de uma punição. Na verdade, a atenção sobre as condutas ilícitas não teve o efeito de parar nem mesmo diminuir as atrocidades.
Pinheiro pediu que os Estados-Membros ajam de forma decisiva e acabem com a violência que assola a Síria há mais de dois anos.”Há uma obrigação de fazer o que deve ser feito para levar esta guerra a um fim. Isso vai exigir que a comunidade internacional não só reconheça, mas também exija uma solução diplomática”, acrescentou.
A Comissão apresentou dez relatórios com uma série de “crimes que chocam a consciência” e que se tornaram uma realidade diária para os civis, incluindo bombardeio aéreo e indiscriminado, desaparecimentos, tortura, violência sexual e massacres.
Mais de 100 mil pessoas foram mortas desde o levante contra o presidente Bashar Al-Assad em março de 2011. Quase 2 milhões fugiram para países vizinhos e mais de 4 milhões de pessoas foram deslocadas internamente.