Sete universitários brasileiros estão entre os 60 ganhadores de um concurso de redação das Nações Unidas sobre cidadania e multilinguismo. Eles e os demais vencedores visitarão a Assembleia Geral da ONU para participar como delegados do Fórum Global da Juventude.
Organizada pelo Impacto Acadêmico das Nações Unidas, a premiação — denominada “Muitas Línguas, Um Mundo” — recebeu inscrições de mais de 6 mil pessoas de 130 países participaram da fase inicial da disputa. Saiba mais sobre os vencedores.

Jovens vão se reunir na Assembleia Geral da ONU na próxima sexta-feira (29). Foto: ONU / Bo Li
Sete universitários brasileiros estão entre os 60 ganhadores de um concurso de redação das Nações Unidas sobre cidadania e multilinguismo. Eles e os demais vencedores visitarão a Assembleia Geral da ONU para participar como delegados do Fórum Global da Juventude.
Organizada pelo Impacto Acadêmico das Nações Unidas, a premiação — denominada “Muitas Línguas, Um Mundo” — recebeu inscrições de mais de 6 mil pessoas de 130 países participaram da fase inicial da disputa.
Para concorrer, os participantes tiveram que escrever uma redação original de até 2 mil palavras discutindo noções de cidadania global e compreensão cultural, abordando a importância do desenvolvimento de habilidades linguísticas.
O texto — que precisava ser escrito em uma das línguas oficiais da ONU — tinha de refletir o contexto pessoal, acadêmico, cultural e nacional do candidato.
Os 60 vencedores foram selecionados como delegados para o Fórum Global da Juventude Muitas Línguas, Um Mundo, que ocorrerá este ano entre 15 e 26 de julho na Northeastern University (Boston, Estados Unidos).
Na ocasião, os jovens criarão planos de ação relacionados à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável em uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas.
Cada vencedor terá direito a uma viagem paga para Boston e Nova Iorque no período da conferência. Os custos com passagem aérea, acomodações e alimentação serão pagos pela ELS Educational Services.
A iniciativa “Muitas Línguas, Um Mundo” promove o aprendizado continuado das seis línguas oficiais das Nações Unidas: árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol.
Saiba mais em https://www.manylanguagesoneworld.org
Conheça os vencedores brasileiros
Bárbara Rafaela Da Silva Machado – Universidade Federal De Minas Gerais (UFMG)
De Abaeté (MG), a aluna de engenharia mecânica Bárbara Machado, de 19 anos, é a primeira de sua família a cursar universidade. Entre as 60 premiadas, sua redação aborda como aprendeu inglês — língua em que escreveu o texto —, por conta própria, assimilando palavras de filmes, músicas e sites, e conversando com pessoas pela Internet. Contou que estudar uma nova língua a deixou mais tolerante.
“No fim, além do inglês, eu também aprendi a desenvolver um interesse sincero por pessoas de outras nações tendo em mente que, apesar de toda a nossa tecnologia, a língua continua sendo o instrumento mais efetivo para promover a paz”, afirma a estudante. Para Bárbara, participar do Fórum Mundial da Juventude Muitas Línguas, Um Mundo é um grande prestígio, mas significa algo ainda maior.
Aos 12 anos, quando leu pela primeira vez o livro “Toda Mafalda” sentiu uma conexão imediata com a personagem crítica e questionadora do cartunista argentino Quino. “Se você conhece a Mafalda, deve saber que o sonho dela era trabalhar como intérprete na ONU, e trabalhar lá se tornou meu sonho (ainda é!)”, afirma a estudante, que espera ser esse o primeiro passo para uma carreira internacional.
Milena Malteze Zuffo – Universidade de São Paulo (USP)
A tradução como uma demonstração de respeito ao próximo e busca pelo diálogo. Esse é um dos aspectos que a estudante de Direito Milena Zuffo, de 23 anos, aborda em sua redação, escrita em inglês, sobre multilinguismo e cidadania. Sua inspiração veio de um texto estudado durante intercâmbio na Alemanha sobre a diversidade cultural observada através das diferenças linguísticas e que tinha como exemplo a passagem bíblica de Babel.
Para discutir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Fórum Global da Juventude, ela espera levar seus estudos para fomentar a discussão sobre a importância do Direito para a efetivação da Agenda 2030. “Já comecei a pesquisar sobre a implementação da Agenda no Brasil, principalmente quanto à importância de noções básicas de Direito para construção de uma sociedade mais pacífica e inclusiva. Acredito que a sociedade só evolui através da educação, inclusive jurídica”, diz Milena.
Natalia Florêncio – Sciences Po Lyon
Graças ao hábito de leitura cultivado desde cedo, a curitibana Natália Florêncio, de 27 anos, ampliou seus horizontes e pôde se interessar por outros países, culturas e línguas. Sua redação, redigida em francês, descreve a partir de suas experiências pessoais a importância da literatura, da leitura e do letramento para a difusão do multilinguismo. “A literatura nos torna mais humanos, mais empáticos, ela nos aproxima daquele que é diferente de nós e enriquece nossa visão de mundo.
Em tempos de xenofobia e de ódio ao outro, a literatura pode nos ajudar a derrubar muralhas e construir pontes”, diz a mestranda em Ciências Políticas da Universidade de Lyon. No Fórum Global da Juventude, o grupo de língua francesa irá discutir sobre o Objetivo 5, que propõe o alcance da igualdade de gênero.
Engajada na luta feminista, Natália afirma ter muito orgulho de se pronunciar por essa causa. “O Brasil sendo um dos países que mais mata mulheres e transexuais no mundo, espero poder usar minha voz, ainda que de forma modesta, para alertar as autoridades internacionais sobre a gravidade do que está acontecendo em meu país”, disse.
Amanda Moraes Azevedo – Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Entre os 6 mil candidatos, a recifense Amanda Azevedo, de 25 anos, destacou-se pelo texto que aborda a importância de transformar o olhar sobre o “outro”, redigido em espanhol. Sua inspiração veio de uma pesquisa de campo que fez em São Paulo com imigrantes indocumentados bolivianos e refugiados haitianos.
Para a estudante de Direito da UFBA, ser escolhida para participar do Fórum é uma oportunidade de compartilhar experiências e construir estratégias para a Agenda 2030. “Receber o e-mail de aprovação foi como achar um bilhete premiado do Willy Wonka. Essa oportunidade significa um privilégio indescritível”, diz Amanda.
A erradicação da pobreza e a luta por uma educação de qualidade são pautas de destaque para ela, que espera contribuir positivamente para suas implementações. “Na era do egoísmo é importante demonstrar que os jovens podem mostrar responsabilidade para com o planeta, comprometendo-se com o bem coletivo”, ressalta.
Camila Negrão Guilherme – Universidade Federal do ABC
Para a estudante de Relações Internacionais Camila Negrão, de 19 anos, participar de projetos sociais é uma grande oportunidade de enxergar realidades diferentes e pensar soluções criativas para afetar o mundo de forma positiva. Sua experiência com lideranças da Enactus, entidade mundial de empreendedorismo social, foi uma das inspirações para seu texto, um dos vencedores do grupo de língua espanhola. Para Camila, ser escolhida para participar do Fórum significa grande motivação em um cenário econômico de oportunidades escassas.
“Vencer um concurso como esse representou extremo destaque e reconhecimento não só para mim ou outros brasileiros, como para 60 jovens que só precisavam de uma oportunidade de visibilidade para expor suas ideias e ter suas propostas ouvidas e valorizadas”, afirma a estudante natural de Santos (SP). Ela espera compartilhar informações sobre a realidade brasileira e trocar conhecimentos com outros participantes.
“Irei aproveitar essa incrível oportunidade para ser criativa, opinar e debater sobre assuntos que terão resultados positivos para a população mundial em geral, mas que terão um impacto de extrema importância para aqueles que mais precisam”.
Júlia Rabelo Mousinho – Centro Universitário do Distrito Federal
O rap e a cultura do hip hop são paixões da brasiliense Júlia Rabelo, de 19 anos. Em sua redação, ela abordou como esses dois elementos, tão presentes na cultura brasileira, podem em conjunto com multilinguismo diminuir preconceitos ao redor do mundo. O texto foi escrito em espanhol e abordou seu estudo da língua, que começou quando ela tinha 15 anos, e sobre como o espanhol a ajudou a amadurecer e se expressar.
“Quando eu soube que tinha vencido no grupo da língua espanhola, percebi quão longe pude ir. Essa será a minha primeira vez viajando para fora do Brasil e treinando uma das línguas que estudo há anos”, relata a estudante de Relações Internacionais. Ela ressalta ainda que a Agenda 2030 é uma iniciativa de extrema importância para a comunidade global, e diz que pretende contribuir para que o diálogo, a empatia e o respeito gerem impacto e mudança.
“O lema dessa Agenda é ‘não deixar ninguém para trás’ e é com esse ideal que busco adquirir conhecimentos com os debates em conjunto com os meus colegas para que sejamos pessoas conscientes e capazes de promover ações humanitárias”.
Matheus Reis Da Silva – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Multilinguismo aliado à saúde como uma forma de melhorar a qualidade de vida da população global. O tema de Matheus, de 21 anos, estudante de Medicina da USP, foi um dos escolhidos para representar a língua espanhola no concurso Muitas Línguas, Um Mundo. Como referência, ele usou o trabalho da ONG Médicos Sem Fronteiras, do Sistema Único de Saúde (SUS) e as atividades sociais na luta contra o câncer que ele realiza na América Latina.
Para Matheus, ser selecionado no concurso significa grande reconhecimento dos valores que desenvolveu durante sua trajetória, e também a responsabilidade de representar a juventude e garantir o impacto que ela busca. “Vou contribuir abordando a saúde, reconhecendo que a importância em garantir assistência de qualidade deve ser objetivo do setor público e privado”.