Chefe de Direitos Humanos das Nações Unidas afirma que encerramento das operações de dez organizações não governamentais visa a silenciar vozes divergentes do governo. Desde abril deste ano, ao menos 15 chefes de ONGs receberam ameaças e foram forçados a fugir do país.
O alto comissário de direitos humanos das Nações Unidas, Zeid Ra’ad Al Hussein, lamentou na quarta-feira (25) a suspensão de atividades de dez organizações não-governamentais (ONGs), muitas delas dedicadas às questões de paz e direitos humanos no Burundi. Zeid alertou para a possibilidade de uma “verdadeira guerra civil” no país.
Burundi vive em conflito desde abril deste ano, após o lançamento da candidatura do atual presidente atual, Pierre Nkurunziza, ao seu terceiro mandato. Sua vitória foi considerada inconstitucional e contrário ao Acordo de Arusha, que permite apenas dois mandatos.
“Essa suspensão parece ser uma tentativa das autoridades do Burundi de silenciar as vozes divergentes e de limitar o espaço democrático”, afirmou, acrescentando que a ação reduz as chances de sucesso no diálogo entre os burundianos – passo importante para a saída do conflito.
De acordo com alto comissário, o número de pessoas mortas ou forçadas a fugir de suas casas segue aumentando: 277 burundianos foram assassinados desde abril deste ano. Mais de 280.000 pessoas se refugiaram em países vizinhos ou se tornaram deslocados internos.
Desde junho, nenhum dos órgãos de comunicação suspensos, ainda pendentes de investigação, conseguiu retomar suas atividades, afirmou Zeid, que prevê um futuro similar para as ONGs. As organizações implicadas nesta nova onda de suspensões haviam denunciado supostos casos de tortura e atuavam na defesa dos direitos das mulheres e crianças.
Desde abril, ao menos 15 chefes de ONGs foram forçados a fugir depois de receber ameaças contra suas vidas e de suas famílias, e quatro membros de organizações foram assassinados, dois pela polícia e os demais por homens armados não identificados.
