Apesar dos avanços nos últimos 20 anos, Camboja não cumpriu promessas previstas no Acordo de Paz de Paris. Juiz se demite por suposta interferência do governo nas investigações.

Mesmo com avanços nos últimos 20 anos pós-assinatura do Acordo de Paz de Paris, o Camboja ainda não cumpriu plenamente promessas previstas no acordo. Entre elas estão a consolidação de um sistema judiciário independente e uma democracia pluripartidária.
“As instituições foram criadas e as leis escritas. No entanto, o desafio continua na implementação dessas leis e no funcionamento dessas instituições”, afirmou o Relator Especial da Situação dos Direitos Humanos no Camboja, Surya P. Subedi.
O alerta surgiu após o juiz co-investigador das Nações Unidas no Tribunal, Siegfried Blunk, ter pedido demissão na semana passada. O motivo seria as repetidas declarações de altos funcionários do governo que se opõem ao progresso das investigações de dois membros do Khmer Vermelho suspeitos de causar morte de milhares de pessoas.
No último domingo (23/10), o representante do Conselho Legal das Nações Unidas, Patricia O’Brien, encontrou o Primeiro-Ministro da Camboja, Sok An in Phnom Penh, e pediu ao governo para não intervir nas Câmaras Extraordinárias do Tribunal do Camboja (ECCC).