Estima-se que 2 milhões de pessoas tenha morrido durante o regime do Khmer Vermelho, entre 1975 e 1979. Relator Especial da ONU pede mais agilidade nos julgamentos e apoio ao Tribunal.

Ieng Sary durante julgamento em 22 de novembro de 2011. Foto: ONU
A câmara do tribunal apoiado pela ONU no Camboja que está julgando os acusados de genocídio e crimes contra a humanidade encerrou nesta quinta-feira (14) o processo contra o ex-Ministro das Relações Exteriores Ieng Sary, que morreu na manhã da quinta depois de estar hospitalizado desde 4 de março.
Sary foi preso em novembro de 2007 e foi a julgamento nas Câmaras Extraordinárias dos Tribunais do Camboja (ECCC), um tribunal misto criado no âmbito de um acordo de 2003 assinado pela ONU e pelo Governo, por acusações de genocídio e crimes contra a humanidade cometidos durante o regime do Khmer Vermelho no final dos anos 1970.
Ele havia sido hospitalizado várias vezes desde que foi detido pelo Tribunal, e uma avaliação de sua aptidão para ser julgado por peritos médicos locais e internacionais estava marcada para este mês, de acordo com uma declaração do Tribunal.
“A morte do acusado Ieng Sary tem o efeito de encerrar todas as ações civis e criminais [contra ele]”, afirmou a Câmara de Julgamento em sua decisão.
Sary, conhecido como Irmão Número Dois Nuon Chea, foi a julgamento junto com sua esposa, Ieng Thirith, que anteriormente serviu como Ministra dos Negócios Sociais para o Kampuchea Democrático – como o Camboja foi conhecido durante a liderança do regimo do Khmer Vermelho no país –, bem como ex-chefe de Estado Khieu Samphan.
Em setembro de 2012, o Tribunal considerou a Thirith inapta para ser julgada devido a razões médicas e concedeu-lhe uma liberdade provisória. Psiquiatras especialistas que examinaram a diagnosticaram com demência clínica, com a principal suspeita de Alzheimer, o que impediria sua participação em audiências judiciais.
Estima-se que 2 milhões de pessoas morreram durante o regime do Khmer Vermelho, entre 1975 e 1979.
Na sequência do falecimento de Sary, o Relator Especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Camboja, Surya P. Subedi, instou hoje o ECCC, o Governo cambojano, parceiros internacionais e as Nações Unidas para agilizar os julgamentos do Khmer Vermelho.
“Peço a todos os intervenientes, incluindo a comunidade internacional em geral, para renovar o compromisso de apoiar o ECCC a completar o seu trabalho com total independência”, sublinhou. “Devemos isso às vítimas sobreviventes do Khmer Vermelho, às famílias das vítimas e a toda a sociedade cambojana, que continua a sofrer com o impacto do Khmer Vermelho até hoje.”