A ONU lançou nesta semana uma campanha global para estimular que os jovens participem ativamente dos processos eleitorais. Atualmente, mais de 50% da população têm menos de 30 anos mas apenas 2% deles exercem cargos eletivos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou nesta semana uma campanha global para estimular que os jovens participem ativamente dos processos eleitorais. Not too Young to run (não tão jovem para se candidatar, em tradução livre) é uma parceria do enviado do secretário-geral da ONU para a juventude, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH), da União Interparlamentar (IPU) , do Fórum Europeu da Juventude e da Iniciativa Jovem para Defesa do Crescimento e do Progresso (YIAGA).
“Os jovens têm todo o direito de serem participantes ativos na vida pública e civil. Já é tempo de garantir que eles não encontrem barreiras arbitrárias para se candidatar a cargos públicos, seja a nível local, regional ou nacional”, afirmou o enviado do secretário-geral para a juventude, Ahmad Alhendawi. “Através da campanha Not Too Young to Run meu escritório trabalhará com parceiros ao redor do mundo para conscientizar sobre o tema da discriminação etária e promover e expandir os direitos dos jovens se candidatarem a cargos públicos”.
Num mundo em transformação, onde mais de 50% da população têm menos de 30 anos mas apenas 2% deles exercem cargos eletivos, a campanha reforça que a participação ativa dos jovens na política é essencial para democracias prósperas e representativas, em todo o mundo. A campanha enfatiza o direito dos jovens de se envolver no processo democrático, incluindo o direito de serem eles mesmos candidatos.
Para o Alto Comissário Para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, as jovens gerações não estão adequadamente representadas em instituições políticas formais, como parlamentos, partidos políticos e administrações públicas. “Isto traz a sensação de que as lideranças e forças políticas ficam reservadas para uma elite. A sociedade que não respeita igualitariamente o direito de todos participarem é frágil”, afirmou. “O direito de expressar opiniões – incluindo críticas – e de participar na administração pública é essencial para assegurar que as instituições são confiáveis e estabelecidas para servir as pessoas”, completou Al Hussein.
O secretário-geral do IPU, Martin Chungong, lembrou que se não são considerados jovens demais para casar, prestar o serviço militar ou mesmo escolher os parlamentares que os representarão, então não podem ser considerados jovens demais para serem candidatos. “O IPU pede que a idade para concorrer a um cargo público esteja alinhada com a do voto”, afirmou. A campanha dá escala para o movimento do mesmo nome iniciado pela YIAGA na Nigéria e pretende mostrar jovens líderes eleitos e inspirar outros jovens a se candidatarem também. A campanha reunirá ideias e sugestões de jovens de todo o mundo através de uma série de atividades online, disponíveis no site http://www.nottooyoungtorun.org/.
Para o presidente do Fórum Europeu da Juventude, Johanna Nyman, os jovens trazem ideias novas e a inovação na política é muito necessária. “Precisamos trabalhar juntos para aumentar a participação dos jovens e encorajar partidos políticos a recebê-los. Se os últimos meses de agitação política no mundo nos ensinou algo é que a política necessita da juventude mais do que nunca”. O diretor executivo do YIAGA, Samson Itodo, lembrou que qualquer país guiado pelos princípios da inclusão, liberdade, igualdade e justiça deve garantir a total participação dos jovens no processo eleitoral.

Conferência Nacional da Juventude – Foto: UNFPA/Mariana Tavares