Campo de Kakuma no Quênia já opera acima de sua capacidade máxima

O campo de Kakuma ultrapassou a capacidade máxima de 100 mil pessoas, aumentando a preocupação sobre a constante chegada de refugiados nos últimos dois anos.

Campo de Kakuma, no Quênia, que já ultrapassou sua capacidade máxima para 100 mil pessoas, espera mais refugiados (ACNUR/ R.Gangale)

O campo de Kakuma, instalado no norte do Quênia em 1992, ultrapassou a capacidade máxima de 100 mil pessoas, aumentando a preocupação sobre a constante chegada de refugiados nos últimos dois anos.

“A ameaça de conflitos nos países vizinhos, particularmente no Sudão e Sudão do Sul, continuará levando pessoas a buscar refúgio no Quênia possivelmente até 2013”, afirmou Guy Avognon, chefe do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em Kakuma.

Nos primeiros sete meses deste ano, 12.123 pessoas foram registradas no campo, a maioria vinda dos estados de Jonglei e Kordofan, no Sudão do Sul. Um número significativo de refugiados do Burundi, Etiópia, Somália e República Democrática do Congo também buscaram refúgio em Kakuma este ano.

Avognon apontou a possibilidade de tensões entre moradores do campo e a comunidade local devido ao acesso limitado a água e demais recursos. A assistência humanitária – particularmente no que diz respeito a abrigo, saneamento, educação e saúde – ficam prejudicados pela falta de recursos para atender a demanda da crescente população.

“O fluxo constante de pessoas já esgotou o espaço para a construção de novos assentamentos. Apesar da superlotação, o ACNUR e seus parceiros trabalham para identificar outros lugares que possam acomodar a população nos assentamentos já existentes”, disse Avognon.

O aumento da população cria sérias questões para a operação, pois não é possível expandir o campo sem que novas fontes de água sejam identificadas. Desde o início deste ano têm sido feitos esforços para fornecer a quantidade suficiente de água potável para os habitantes. No entanto, o s refugiados estão recebendo menos do que os 20 litros de água necessários diariamente por pessoa.

O ACNUR tem negociado com o governo queniano sobre a construção de um segundo campo desde o ano passado, mas ainda não se chegou a nenhum acordo apesar da identificação de um local possível a 35 quilômetros de Kakuma. O ACNUR está otimista de que as conversas serão bem sucedidas e um novo local para receber refugiados estará disponível até o final do ano.

No entanto, são necessários aproximadamente 16,7 milhões de dólares para a criação deste segundo campo. Com as atuais limitações financeiras do ACNUR este será outro desafio.

(Emmanuel Nyabera, no campo de refugiados de Kakuma, para o ACNUR)