O casal Hilary e Jim Parle, de Birmingham, na Inglaterra, decidiu acolher refugiados após ouvir a trágica história do sírio Alan Kurdi, de apenas três anos, cujo corpo foi encontrado em uma praia na Turquia, em 2015. Hoje, eles abrigam Yonasskindis, um eritreu de 72 anos que teve de deixar seu país de origem após receber ameaças de morte.

Hilary Parle, médica aposentada, e seu marido Jim (à direita), professor de medicina, estão hospedando Yonasskindis, de 72 anos, um refugiado da Eritreia. Foto: ACNUR/Aubrey Wade
O casal Hilary e Jim Parle, de Birmingham, na Inglaterra, decidiu acolher refugiados após ouvir a trágica história do sírio Alan Kurdi, de apenas três anos, cujo corpo foi encontrado em uma praia na Turquia, em 2015.
“Vimos a foto da criança deitada de bruços na praia e foi isso”, lembra Hilary, médica aposentada de 63 anos. “Nós tínhamos que fazer algo para ajudar.”
Com seus três filhos já criados e morando fora, ela e o marido, que é professor de medicina na Universidade de Birmingham, viram que sua casa de quatro quartos tinha espaço suficiente para abrigar quem precisa.
Pela Internet, Hilary encontrou a Birch Network, que busca residências para refugiados, e o casal logo recebeu hóspedes. Depois de acolher quatro pessoas, em janeiro deste ano foi a vez de Yonasskindis*, um eritreu de 72 anos que teve de fugir de seu país após receber ameaças de morte.
Ex-dono de bar e contador, Yonasskindis apoiou o principal movimento de independência do seu país de origem. Há oito anos, ele vive no Reino Unido.
Sua solicitação de refúgio foi rejeitada, mas o idoso recorreu e tem permissão para permanecer até que uma nova decisão seja proferida. Quando o pedido inicial de asilo foi negado, Yonasskindis foi expulso do alojamento onde morava.
“Eles são como meus irmãos”, conta o eritreu. “São pessoas muito boas. Eu sou diabético, tenho a pressão e o colesterol altos. Tenho que tomar cinco comprimidos por dia. Se não fosse por eles, eu estaria na rua.”
Hilary e Yonasskindis passam muito tempo juntos: fazem esculturas, compras, cozinham juntos e compartilham refeições.
“Estou surpreso com o quão fácil tem sido. Quando as pessoas nos dizem que o que estamos fazendo é extraordinário, respondemos que, na verdade, é bem fácil. Como eu, ele é um leitor voraz, nós nos sentamos juntos, tomamos chá e lemos”, diz Jim.
Yonasskindis tem deficiências auditivas, mas os Parles afirmam que isso não tem sido um problema.
“Ele ama história e é bastante inteligente”, conta Hilary. “O inglês dele é ótimo, mas ele é surdo, você só precisa falar alto.”
“As pessoas podem ter as próprias opiniões sobre imigração em geral, mas tudo muda quando conhecemos a história de alguém”, acrescenta Jim.
*Nome alterado por questões de proteção