Cem mil pessoas sitiadas no Sudão do Sul precisam de ajuda humanitária urgente, alerta ACNUR

A segurança da região se deteriorou rapidamente após a nova escalada da violência, no início de julho, na capital Juba, destacou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Milhares de pessoas refugiadas internamente reunidas em igreja na cidade de Yei, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR /Rocco Nuri

Milhares de pessoas refugiadas internamente reunidas em igreja na cidade de Yei, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR /Rocco Nuri

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) advertiu na semana passada (30) que a ajuda humanitária urgente é necessária para cerca de cem mil pessoas sitiadas na cidade de Yei, no Sudão do Sul.

A segurança da região se deteriorou rapidamente após a nova escalada da violência, no início de julho, na capital Juba.

“Até o momento, a cidade de Yei tinha sido poupada da violência e dos ataques que assolam o país desde dezembro de 2013”, disse o porta-voz do Escritório do Alto Comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR), William Spindler, a jornalistas em Genebra.

“Essa é a primeira vez que a população de Yei – principalmente agricultores que vivem da agricultura comercial e de subsistência – se tornou alvo direto da violência, e por suspeita de pertencer a grupos de oposição. Essas pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária”, acrescentou.

De acordo com uma igreja local, mais de 30 mil pessoas buscaram abrigo em Yei deslocadas de áreas circundantes, após os ataques mortais contra civis e saques em propriedades privadas ocorridos nos dias 11 e 13 de setembro.

Essas pessoas se juntaram a milhares de outros deslocados oriundos do condado de Lainya e aos 60 mil moradores da cidade. Os residentes também estão sem meios de sair de Yei e passando pelas mesmas necessidades que as pessoas deslocadas pelo conflito.

A presença da agência da ONU tem sido limitada ao fornecimento de proteção e assistência aos refugiados da República Democrática do Congo (RDC) que vivem na cidade de Yei e às pessoas do assentamento de Lasu.

Uma missão com diversas agências para a cidade, liderada pelo ACNUR no dia 27 de setembro, observou que dezenas de milhares de deslocados estão abrigados em casas abandonadas e em igrejas e estão encarando uma grave escassez de medicamentos e de alimentos.

Homens e mulheres aterrorizados relataram ao porta-voz da agência da ONU sobre a violência terrível que sofreram antes e durante a fuga.

Muitos civis foram vítimas de assassinatos, de mutilação, de saques e muitas propriedades foram incendiadas. Diversas pessoas sofreram até a morte, incluindo mulheres e crianças.

Há relatos de que muitos homens jovens, com idades entre 17 e 30 anos, foram presos por suspeita de se aliar com a oposição.

Spindler também informou que os preços dos alimentos estão subindo rapidamente, com muitos produtos básicos em falta nos mercados. Muitas pessoas deslocadas internamente relataram que seus estoques de alimentos foram saqueados.

Além disso, ele destacou, entre outras coisas, que dois hospitais locais estão funcionando com capacidade reduzida; e que a falta de alimentos nutritivos para crianças desnutridas e mães que amamentam está se tornando crítica.

Diante da situação, a ONU está planejando aumentar a sua força no país. O governo já concordou com a implementação de 4 mil forças de proteção regional enviadas pelo Conselho de Segurança, além dos cerca de 12 mil soldados de paz que já servem o país.

A piora da segurança no Sudão do Sul forçou mais de 200 mil pessoas a abandonar suas casas desde 8 de julho, levando o número de refugiados sul-sudaneses em países vizinhos a ultrapassar um milhão.