Centro de Informação da ONU no Brasil completa 70 anos

Em cerimônia no Palácio Itamaraty do Rio de Janeiro, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) comemorou nesta quarta-feira (24) 70 anos de existência. Celebração reafirmou o papel da ONU na defesa dos direitos humanos e na redução das desigualdades sociais. Evento reuniu cerca de cem representantes do corpo diplomático, sociedade civil, governo brasileiro, forças armadas, academia e agências da Organização localizadas na capital fluminense.

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Em cerimônia no Palácio Itamaraty do Rio de Janeiro, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) comemorou nesta quarta-feira (24) 70 anos de existência. Celebração reafirmou o papel da ONU na defesa dos direitos humanos e na redução das desigualdades sociais. Evento reuniu cerca de cem representantes do corpo diplomático, sociedade civil, governo brasileiro, forças armadas, academia e agências da Organização localizadas na capital fluminense.

“Tivemos a honra de ser a primeira presença da ONU no país, como outros UNICs em muitos outros países, com o propósito de ajudar a criar conhecimento, consciência e apoio para o mandato e o trabalho da ONU”, afirmou em pronunciamento o diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano.

O centro do Brasil começou a operar em 1948, dois anos após a Assembleia Geral adotar uma resolução sobre o estabelecimento dos UNICs em diferentes partes do planeta. Em 1986, a instituição foi transferida para a representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio, onde mantém suas atividades até hoje.

“Ingeborg de Mendonça, uma brasileira de origem alemã, foi a primeira funcionária da ONU no Brasil”, lembrou o diretor do centro.

Giuliano ressaltou que também nesta quarta-feira é celebrado o Dia das Nações Unidas. Em 24 de outubro de 1945, a Carta da ONU, documento fundador da instituição, era assinada por todos os seus países-membros, dando vida à Organização.

“Neste momento, temos mais guerras e conflitos armados no mundo, que em quase qualquer momento desde a Segunda Guerra Mundial. A pobreza extrema está diminuindo no mundo, mas estão aumentando as desigualdades”, alertou o dirigente em pronunciamento.

“Os direitos humanos seguem ameaçados, incluindo o direito à liberdade de expressão, os direitos das mulheres, das minorias étnicas e religiosas, e das pessoas LGBTIQ+.”

Documentário e site especial comemoram 70 anos do UNIC Rio

Durante o evento, foi apresentado pela primeira vez um documentário especial sobre as sete décadas de atividades do UNIC Rio. Com depoimentos de ex-funcionários, a obra lembra os esforços do centro para divulgar informações da ONU entre a imprensa e o público brasileiros.

A produção audiovisual também aborda momentos da história brasileira, como a ditadura militar (1964-1985). Durante o período, a instituição das Nações Unidas apoiou a realização do show “O Banquete dos Mendigos”, no Museu de Arte Moderna do Rio. A apresentação tinha como tema a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O disco da performance foi censurado pelo governo brasileiro.

Assista ao documentário abaixo:

Também em comemoração aos seus 70 anos, o UNIC Rio lançou um site especial que traz matérias de jornais brasileiros antigos sobre o papel da ONU no Brasil e no mundo. O portal apresenta ainda declarações de profissionais que trabalharam para o centro das Nações Unidas. Ao longo dos próximos meses, a plataforma será atualizada com novos conteúdos sobre a atuação do UNIC Rio.

Acesse o site especial em http://70.unicrio.org.br/.

Atualmente, a equipe do UNIC Rio produz mais de 250 textos e 50 vídeos por mês, compartilhando-os no site ONU Brasil e em diversas redes sociais. Entre as campanhas desenvolvidas pelo centro, junto com agências das Nações Unidas, destacam-se Vidas Negras, que denuncia a violência contra a população negra, e Livre e Iguais, sobre os direitos da população LGBTI.

Além do contato virtual possibilitado pelas novas tecnologias, o centro também se dedica a envolver os cidadãos em outras iniciativas. Palestras, exibições de filmes e exposições são atividades constantemente desenvolvidas pelo UNIC Rio desde o início de sua instalação na capital fluminense.

Homenagem ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello

André Simões, sobrinho de Sérgio Vieira de Mello (à esquerda), ao lado de Maurizio Giuliano, diretor do UNIC Rio, após a inauguração da placa que leva o nome do brasileiro e ex-alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

André Simões, sobrinho de Sérgio Vieira de Mello (à esquerda), ao lado de Maurizio Giuliano, diretor do UNIC Rio, após a inauguração da placa que leva o nome do brasileiro e ex-alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

A cerimônia no Palácio Itamaraty contou ainda com a inauguração de uma placa que dá o nome Sérgio Vieira de Mello para o auditório do UNIC Rio, em homenagem ao brasileiro e ex-alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos.

Após mais de 30 anos a serviço das Nações Unidas, Vieira de Mello foi morto em 2003, no atentado ao Hotel Canal, o escritório da Organização em Bagdá, no Iraque.

“A memória dele segue viva. Ele é uma grande inspiração para nós, para seguirmos fiéis aos nossos ideais em qualquer circunstância. E acho que ele também é uma inspiração para todos aqueles que acreditam num mundo melhor através da cooperação e do diálogo entre nações”, afirmou Maurizio Giuliano.

“Em mais de 30 anos de carreira, trabalhou para o ACNUR (a Agência da ONU para Refugiados) em vários países, foi chefe da missão (da ONU) no Timor-Leste e no Iraque, chefe do OCHA (o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários) e alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos”, completou o diretor do UNIC Rio.

O centro de informação lançou neste mês um selo comemorativo para homenagear o legado do brasileiro.