Centro Rio+ avalia riscos e oportunidades para políticas de agricultura familiar na África

Em encontro na Etiópia, gestores públicos e agências de cooperação devem identificar corretamente as demandas dos agricultores familiares para que a produção ganhe escala.

Visita de gestores públicos do PAA África ao Brasil em 2012. Foto: PMA

Visita de gestores públicos do PAA África ao Brasil em 2012. Foto: PMA

“As políticas para a agricultura familiar precisam chegar ao continente africano com competência superior ao que foi praticado em experiências anteriores”, disse nesta segunda-feira (2) o diretor do Centro Rio+, Rômulo Paes, em Adis Abeba, na Etiópia.

Em visita ao país africano a convite do governo brasileiro, Rômulo participa da terceira edição do Seminário Internacional do projeto de cooperação PAA Africa (Purchase from Africans for Africa), que teve início hoje e vai até o dia seis de junho.

“A urgência alimentar, econômica e social no continente, onde atualmente estão concentrados os maiores estoque de terras agricultáveis do mundo, requer a atenção dos gestores públicos para o trabalho que está pela frente”, afirmou Rômulo Paes, destacando que o contexto africano oferece riscos e potencialidades.

“Muitos acreditam que o modelo de Plantation, isto é, da grande agricultura, é a solução para a produção de alimentos em larga escala. Isso é verdade no caso das commodities como soja, algodão e cana-de-açúcar. Mas a realidade em países como o Brasil mostra que é a agricultura familiar que realmente alimenta populações de amplitude quase continental.”

Tempo para ganhar escala

No entanto, o diretor do Centro Rio+ chamou a atenção para o fato de que políticas de incentivo à agricultura familiar, como programas de aquisição de alimentos, precisam de tempo e empenho dos gestores públicos.

“Há uma dificuldade de se conseguir escala em um primeiro momento, porque a necessidade do beneficiado do programa é diferenciada e precisa de uma abordagem específica. Isso implica em trabalhar em um período de consolidação do modelo sem se obter a escala adequada para o atendimento de uma população mais ampla.”

De acordo com Rômulo Paes, nem sempre o problema está na falta de assessoria técnica para se aumentar a produtividade. É preciso oferecer também mecanismos de acesso ao mercado e a insumos, como água, sementes de qualidade e crédito.

O PAA Africa foi idealizado em 2010 pelo governo brasileiro, países africanos e organizações internacionais para discutir a cooperação entre Brasil e África em segurança alimentar e desenvolvimento rural.