Centro RIO+ participa de TEDx na capital fluminense e divulga Agenda de Desenvolvimento Sustentável

Durante evento que reuniu cerca de 500 pessoas no Rio de Janeiro para palestras sobre educação, empreendedorismo, tecnologia e sustentabilidade, organismo das Nações Unidas oficializou parceria com o TEDxRio para difundir os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Entre os participantes, a atriz Regina Casé chamou atenção para a necessidade de o Brasil investir em oportunidades de aprendizado mais igualitárias. A artista também falou sobre a Agenda 2030.

O Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas – Centro RIO+ – firmou uma nova parceria com o TEDxRio para promover a Agenda 2030 da ONU. A cooperação foi formalizada durante edição do TEDxRio que reuniu na última sexta-feira (3) cerca de 500 pessoas no Rio de Janeiro para palestras sobre educação, empreendedorismo, tecnologia e sustentabilidade.

“A implementação da Agenda 2030 precisa contar com muita inovação, com muita capacidade de chegar não apenas aos governos, mas chegar também às instituições e chegar aos indivíduos”, afirmou o diretor do Centro RIO+, Rômulo Paes de Sousa.

Segundo o dirigente, a parceria com uma “instituição muito criativa” como o TEDx permitirá disseminar os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e “fazer com que as pessoas abracem” as metas adotadas pela comunidade internacional em 2015. Eventos no formato TED realizados em conjunto com o Centro RIO+ estão previstos para o final desse ano.

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A cooperação entre as Nações Unidas e o TEDx é antiga. Em 2012, uma versão especial do TEDxRio foi realizada durante a Conferência Rio+20 — encontro global considerado um marco pela participação expressiva da sociedade civil e por lançar as bases da nova Agenda Global.

“Quando o ele (o TED) começou há 30 anos, era muito focado em tecnologia, entretenimento e design. Mas já tem algum tempo em que ele abriu esse foco para todas as áreas. O mote que ele carrega hoje é ideias que merecem ser compartilhadas”, explicou um dos organizadores do TEDxRio, Marco Brandão. Na capital fluminense, o TEDx tem buscado discutir temas associados aos desafios sociais observados na cidade.

Regina Casé comenta Agenda 2030 da ONU

Durante o TEDx, o organismo das Nações Unidas apresentou para os participantes do evento os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em um estande. Entre os que se interessaram pela Agenda 2030 estava a atriz e apresentadora brasileira Regina Casé — uma das palestrantes do encontro.

Regina Casé participou de edição do TEDxRio e falou sobre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Foto: Centro Rio+ / Roberta Thomaz

Regina Casé participou de edição do TEDxRio e falou sobre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Foto: Centro RIO+ / Roberta Thomaz

“Se a gente focasse tudo em uma educação o mais igualitária possível, em que todo mundo tivesse acesso a uma educação de qualidade para aí sim, depois, mais tarde, poder trabalhar com uma meritocracia como aqui ou em grandes universidades”, explicou a artista sobre a necessidade de o Brasil garantir oportunidades de aprendizado para todos.

“Poder realmente ter acesso à mesma educação. Todos esses outros (ODS), a paz, cuidar do meio ambiente, da água, (combater) a desigualdade social, tudo isso vem a reboque”, destacou Regina.

A atriz comentou ainda que, durante suas viagens pelo interior do Brasil e visitas a periferias de grandes cidades, “a única coisa que eu tinha pena era quando eu via um garoto tão promissor, eu via ele conversando comigo, via aquela inteligência brotando, aquela vontade, aquele desejo de vida e via que ele tinha zero oportunidade na educação”.

“Provavelmente, ele ia ficar dois anos (no colégio), ia ser mais um na estatística de evasão escolar. Então, eu desejo que todos os jovens do Brasil estejam numa escola e numa ótima escola de excelência. Isso é o meu sonho máximo.”

Durante sua palestra no TEDx, Regina alertou também para a importância de espaços de aprendizado que privilegiem a diversidade e o contato entre jovens de origens e contextos sociais diferentes. “Por que você acha que só pode ser amigo de alguém que tem o mesmo dinheiro que você?”

Regina ainda chamou atenção para o fato de que havia poucos afrodescendentes entre a plateia que ouviu sua palestra, mas que 53% da população brasileira é de negros e pardos.

Educação brasileira vai mal no setor público e privado

Um dos palestrantes do evento, o jornalista da área de educação Antônio Gois falou sobre os obstáculos que o Brasil precisa enfrentar para melhorar sua educação.

Ninguém está protegido
na educação brasileira,
rico ou pobre.

“A gente tem um problema sério na educação do Brasil e não está restrito apenas aos pobres, aos alunos da escola pública. Não importa para onde a gente olhe, o Brasil vai muito mal na educação em comparação com os países desenvolvidos”, ressaltou o repórter, que alertou para o mau desempenho das escolas privadas em avaliações internacionais.

“Ninguém está protegido na educação brasileira, rico ou pobre, se a gente não enfrentar um problema estrutural que é os baixos salários dos professores — o que significa que a carreira é pouco atrativa para os jovens com mais vocação para ser professor —, a má formação nos cursos de educação — que não prepara os professores para a realidade que eles vão enfrentar em sala de aula — e um currículo confuso, de baixa expectativa, (deixando) os professores sem suporte.”

Moda precisa encontrar soluções sustentáveis

O fundador da rede de moda colaborativa MALHA, André Carvalhal, ressaltou que a indústria de vestimentas — responsável pela produção de 80 bilhões de peças de roupa por ano, das quais 30% não são utilizadas — precisa se reinventar.

Apenas em Bom Retiro, em São Paulo, 12 toneladas desses produtos não utilizados são descartados todos os dias. Na Índia, anualmente, o desperdício chega a 100 mil toneladas.

Segundo o especialista, a moda perdeu “bastante o sentido” em um mundo onde “90% dos mamíferos foram extintos, 95% da população marinha foi extinta, 75% da área de florestas foi devastada, 40% do nosso solo foi desertificado, 40% da camada do Ártico derreteu”.

“A temperatura do planeta aumentou quase um grau e, se aumentar mais um, talvez a gente não consiga sobreviver. Uma criança morre de fome a cada cinco segundos no mundo, 5 mil pessoas morrem por dia com água contaminada, 1 bilhão de pessoas não têm acesso a água pura e 2,8 bilhões de pessoas têm acesso restrito a água.”

“Mas mesmo assim, a indústria da moda continua querendo vender roupa para quem não precisa”, lamentou o empreendedor. “Só que todas as roupas vêm da natureza” e consomem recursos que poderiam ser utilizadas para outros fins.

Por trás dessa cadeia produtiva, Carvalhal lembrou que existem trabalhadores em situação de risco. Segundo ele, 200 mil pessoas morreram nos últimos 30 anos em Bangladesh — país onde é produzida a maioria das roupas consumidas. Essas mortes teriam sido provocadas por acidentes de trabalho em fábricas precárias.

O empreendedor enfatizou que é necessário sensibilizar o público e a indústria para a adoção de práticas mais sustentáveis na produção de roupas, a fim de “garantir o futuro das próximas gerações”.

Rio 2016 vai deixar legado para cidade

Também presente no TEDxRio, o CEO do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, Sidney Rezende, ressaltou que as competições de agosto e setembro desse ano mobilizaram um investimento de 25 bilhões na rede de transporte público e coletivo da capital fluminense.

Você não precisaria das Olimpíadas
para fazer isso, tá certo?
Acontece que o mundo político funciona assim.

O valor equivale a dez vezes o montante gasto na construção de estádios para as atividades esportivas das Olimpíadas e Paralimpíadas.

Rezende destacou que a ideia de fazer os Jogos — e todos os investimentos envolvidos — “só tem sentido se ficar para a sociedade alguma coisa” após o megaevento. “Você não precisaria das Olimpíadas para fazer isso, tá certo? Acontece que o mundo político funciona assim”, reconheceu o CEO.

“Então, você cria um fato grande, importante, que chama muita atenção e aí, surge o movimento político para fazer isso aqui (investimentos que deixarão algum legado para o Rio de Janeiro).”

O diretor do Comitê Organizador lembrou que o plano envolvendo a expansão da linha de metrô e a construção de BRTs existe há 50 anos, mas até o momento dos Jogos ainda não havia saído do papel.