CEPAL cita necessidade de novo modelo de desenvolvimento em fórum com Noam Chomsky

A América Latina e o Caribe precisam avançar rumo a um novo paradigma de desenvolvimento baseado na igualdade e na sustentabilidade ambiental como motor do crescimento. O atual modelo, o capitalismo, não funciona.

As declarações foram feitas na quarta-feira (15) pela secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alícia Bárcena, durante fórum realizado na Cidade do México ao lado de personalidades como o linguista e filósofo Noam Chomsky.

Alicia Bárcena e Noam Chomsky. Foto: CEPAL

Alicia Bárcena e Noam Chomsky. Foto: CEPAL

A América Latina e o Caribe precisam avançar rumo a um novo paradigma de desenvolvimento baseado na igualdade e na sustentabilidade ambiental como motor do crescimento. O atual modelo, o capitalismo, não funciona.

As declarações foram feitas na quarta-feira (15) pela secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alícia Bárcena, durante fórum realizado na Cidade do México.

Bárcena participou da abertura do colóquio internacional organizado por Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e Universidade de Guadalajara (UDG), no qual se debateu o projeto “Origens: mudança climática, consequências ambientais e sociais para o México e o mundo”, realizado pela Universidade do Estado do Arizona (ASU, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

Também estavam presentes nos debates personalidades como o linguista, filósofo, cientista cognitivo, historiador, crítico social e ativista, além de professor emérito do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), Noam Chomsky; e o professor da Escola de Exploração da Terra do Espaço da ASU e diretor do projeto Origens, Lawrence Krauss.

Outros presentes incluíram Richard Somerville, meteorologista e profesor emérito da Universidade da Califórnia; Dan Schrag, professor de Ciências Ambientais e Engenharia e diretor do Centro para o Meio Ambiente da Universidade de Harvard; e Mario Molina, químico mexicano, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Química de 1995 e atual professor da Universidade da Califórnia em San Diego.

Durante o encontro, Bárcena afirmou que o multilateralismo é o único sistema que permite trabalhar para as pessoas. “Estamos em meio a uma mudança de época, com mudanças de natureza tectônica: a migração, a mudança climática, grandes movimentos geopolíticos no mundo, uma quarta revolução industrial baseada na tecnologia e não sabemos o que vai acontecer com o futuro do trabalho”, disse.

Ela afirmou ainda que existe a urgência de contar com um grande impulso ambiental que favoreça uma produção e consumo livres de carbono. “Não temos medo de irmos para um modelo com uma visão progressista, com acesso universal aos bens básicos, aos direitos sociais, à igualdade, porque a desigualdade conspira contra a democracia”, disse a alta funcionária das Nações Unidas.

Bárcena, que também é bióloga, lembrou as trágicas consequências da mudança climática para a região já que, além das perdas em biodiversidade e a poluição ambiental, os desastres naturais acumulam um custo de 300 bilhões de dólares no período 1970-2017.

Além de ressaltar que a mudança climática é “a grande falha de mercado de todos os tempos”, a oficial da ONU indicou que apesar de a globalização ter ajudado a tirar milhões de pessoas da extrema pobreza, a desigualdade aumentou de maneira alarmante.

“Atualmente, 1% (da população mundial) tem a metade da renda do restante da população do mundo. A riqueza está concentrada em poucas mãos”, disse. Citando recente estudo da OXFAM, afirmou que apenas oito indivíduos têm a riqueza equivalente a 3,6 bilhões de pessoas. Além disso, a evasão fiscal na América Latina e no Caribe alcança 340 bilhões de dólares (ou 6,7% do PIB). “Isso é uma amostra da cultura dos privilégios que devemos erradicar”, reiterou Bárcena.

“Quem vai liderar o mundo nos próximos anos”, perguntou a secretária-executiva ao público reunido na sede da UNAM. “A elite ou o povo? Vamos mudar o mundo com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com a participação cidadã. Vocês, sobretudo os jovens, podem mudar o mundo”, disse.