CEPAL prevê contração de 0,8% do crescimento na América Latina e Caribe

As economias do Sul serão as mais afetadas neste ano, principalmente devido ao baixo crescimento na China e a desvalorização dos preços de bens primários.

A redução dos bens primários é indicado como um dos fatores para a desaceleração econômica da América do Sul. Foto: Agência AL/Miriam Zomer

A redução dos bens primários é indicado como um dos fatores para a desaceleração econômica da América do Sul. Foto: Agência AL/Miriam Zomer

Na sua última atualização, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) reduziu a projeção de crescimento da atividade econômica da região para 2015 de 0,5% para -0,3%. Entre os principais fatores para esta retração estão o enfraquecimento da demanda interna, um baixo crescimento nos países desenvolvidos e uma importante desaceleração das economias emergentes, principalmente da China.

A Comissão também aponta o fortalecimento do dólar, a crescente volatilidade nos mercados financeiros e a importante queda dos preços de bens primários como fatores que prejudicaram o crescimento na região. A projeção para o Brasil para os próximos dois anos é negativa. Em 2015, a agência da ONU prevê uma retração de -2,8% e para 2016, -1%

Apesar da tendência regional de desaceleração, algumas economias da América Latina e Caribe fogem desse padrão. Países com maior vínculo com os Estados Unidos, como são os casos do México e países da América Central, estão conseguindo manter seu ritmo de crescimento, com projeções de 2,6% para 2015 e 2,9% para 2016, enquanto economias no Caribe podem crescer em torno a 1,6 este ano e 1,8% em 2016.

Já as economias da América do Sul, especializadas em bens primários como o petróleo e minerais e mais atreladas à China registrarão um nível mais elevado de desaceleração, com contrações de 1,3% em 2015 e 0,1% em 2016.

“A queda de investimento em vários páises, especialmente nos setores ligados à produção e exportação de commodities, sugere a necessidade de procurar alternativas que compensem este efeito negativo. O investimento em infraestrutura pode ter importantes efeitos sobre o crescimento a médio e longo prazo”, disse a secretária executiva da CEPAl, Alicia Bárcena.