CEPAL reivindica maior participação da América Latina nas decisões sobre sistema monetário global

Secretária-Executiva da Comissão sugere a criação de um fundo para a região. “América Latina merece um lugar na mesa para discutir o sistema monetário internacional”.

Secretária-Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia BárcenaA Secretária-Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, instou os países da região a buscarem uma maior participação no debate sobre o sistema monetário mundial. “América Latina merece um lugar na mesa para discutir o sistema monetário internacional, já que é uma região que reforçou suas reservas monetárias nos últimos anos”.

A afirmação foi feita durante uma reunião com líderes da região, realizada em Montevideo (Uruguai) na última terça-feira (18/10), para constituir uma postura comum da região tendo em vista a próxima reunião do Grupo dos 20 (G-20), prevista para os dias 3 a 4 de novembro em Cannes (França).

Bárcena defendeu a construção de uma nova arquitetura da governança global, que vá em direção a um verdadeiro multilateralismo. Ela sugeriu o fortalecimento do fundo latino-americano de reservas (CAF-Banco de Desenvolvimento da América Latina) ou que fosse criado um novo fundo regional. “Seria um fundo de reservas que seguiria vinculado ao dólar, mas permitiria proteger e trabalhar os custos de transações, como por exemplo as trocas comerciais”.

Para ela uma saída é institucionalizar o G-20, integrando-o a um sistema mais amplo ou o transformando em uma espécie de Conselho de Segurança Econômico das Nações Unidas, como sugerido pela Comissão Stiglitz, estabelecida em 2008 pelo presidente da 63ª Assembleia Geral da ONU para estudar as reformas necessárias ao sistema monetário e financeiro internacional.

Argentina, Brasil e México são os únicos países que integram o G-20, que irá debater neste próximo encontro a crise financeira europeia e como obter um sistema financeiro mais inclusivo.