Cerca de 4 mil pessoas já foram forçadas a sair de acampamentos no Haiti esse ano, alerta ONU

Despejos ilegais de vítimas do terremoto de 2010 preocupam organização. Presidente haitiano condenou incidentes e lançou programa para tentar solucionar problema.

Residentes em acampamento temporário no Haiti. Foto: MINUSTAH/Marco Dormino

Residentes em acampamento temporário no Haiti. Foto: MINUSTAH/Marco Dormino

No começo da semana, a coordenadora humanitária para o Haiti, Sophie de Caen, expressou preocupação sobre a demolição de um acampamento temporário no país, que abrigava famílias deslocadas pelo terremoto de 2010. Ela disse que despejos ilegais e abusos dos direitos humanos estão se tornando comuns.

“No dia 5 de junho, a ONU foi informada sobre o despejo ilegal de 120 a 150 famílias deslocadas pelo terremoto de 2010 e residentes do Campo Bristou B1”, disse um comunicado divulgado na segunda-feira (10) pelo escritório da coordenadora humanitária.

Um trator foi usado para destruir as tendas a partir do dia 4 de junho e continuou durante toda a noite, deixando apenas cerca de 50 abrigos após a demolição. Testemunhas dizem que o acampamento estava localizado em terras particulares, mas a expulsão não foi organizada pelo proprietário.

De acordo com o comunicado, Caen “expressou preocupação com as violações dos direitos das pessoas deslocadas internamente no Haiti e a não aplicação dos procedimentos de encerramento de acampamentos formais”.

Ela chamou a atenção do primeiro-ministro Laurent Salvador Lamothe para o incidente no Campo Bristou e reiterou o apela da comunidade humanitária ao governo do Haiti para priorizar a busca de soluções sustentáveis para as pessoas que vivem nos acampamentos.

Só esse ano, cerca de 4 mil pessoas foram forçadas a sair de quatro acampamentos, já contando com este último incidente, relatou a ONU. Se a tendência continuar, cerca de 75 mil pessoas assentadas em outros 105 acampamentos construídos em terras privadas vão enfrentar ameaças de despejo forçado.

O presidente haitiano, Michel Martelly, condenou os incidentes e lançou o programa 16/6, um projeto que apoia o retorno e o reassentamento de pessoas deslocadas que vivem em acampamentos, bem como a reabilitação dos bairros afetados pelo deslocamento.