Chef Jamie Oliver debate obesidade e subnutrição em evento da Organização Mundial da Saúde

Em todo o mundo, quase 800 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crônica e mais de 2 bilhões enfrentam deficiência de micronutrientes. No entanto, outros 1,9 bilhão de indivíduos estão com sobrepeso. Desse contingente, 600 milhões são obesos. Nas Américas, excesso de peso já atingiu proporções epidêmicas.

Chef britânico Jamie Oliver ao lado da diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Foto: OMS / L. Cipriani

Chef britânico Jamie Oliver ao lado da diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Foto: OMS / L. Cipriani

Em todo o mundo, quase 800 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crônica e mais de 2 bilhões enfrentam deficiência de micronutrientes. Cerca de 159 milhões de crianças menores de cinco anos são subnutridas e aproximadamente 50 milhões de jovens nessa faixa etária estão abaixo do peso para sua altura.

No entanto, outros 1,9 bilhão de indivíduos estão com sobrepeso. Desse contingente, 600 milhões são obesos. No continente americano, o excesso de peso e a obesidade alcançaram proporções epidêmicas, afetando de 20% a 25% dos menores de 19 anos na América Latina e um terço das crianças e adolescentes com idade entre seis e 19 anos nos Estados Unidos.

Os números foram divulgados na última segunda-feira (23) em evento paralelo à 69ª Assembleia Mundial de Saúde que debateu soluções para a obesidade e desnutrição infantis.

“Uma ação global que envolva todos os setores é necessária em toda a cadeia alimentar” para reduzir a fome e melhorar a nutrição das crianças, afirmou o diretor do Departamento de Nutrição para a Saúde e Desenvolvimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), Francesco Branca.

Entre os fatores-chave que impulsionam a epidemia de sobrepeso, estão o consumo excessivo de alimentos processados ricos em calorias e baixo valor nutricional,  a ingestão de bebidas adoçadas com açúcar — refrigerantes — e baixos níveis de atividade física.

Nos últimos 30 anos, o número de crianças com obesidade dobrou nos Estados Unidos. Quando considerados os adolescentes, os índices indicam um aumento de quatro vezes no número de jovens obesos.

Não queremos uma luta
entre o mundo da obesidade e o da fome.
Há espaço para que todos façam mais:
os governos, as empresas e as comunidades.

O encontro contou com a participação especial do renomado chef britânico Jamie Oliver. O cozinheiro apresentou a campanha Food Revolution — iniciativa que busca ampliar a consciência global e promover mudanças na maneira como crianças têm acesso e consomem alimentos.

“Não queremos uma luta entre o mundo da obesidade e o da fome. Há espaço para que todos façam mais: os governos, as empresas e as comunidades”, alertou Oliver.

Brasil e outros países apresentam iniciativas para combater má alimentação

“O México impôs horários na TV nos quais é proibida a promoção de determinados alimentos, mudanças de rotulagem e um imposto sobre as bebidas açucaradas, que em um ano reduziu em 5% seu consumo”, destacou o subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde do México, Pablo Kuri Morales.

O dirigente lembrou que, desde 2014, uma taxação especial torna bebidas adoçadas e outros produtos mais caros, desestimulando seu consumo.

Bebidas açucaradas como os refrigerantes estão por trás da epidemia de obesidade e sobrepeso registrada nas Américas. Foto: Flickr (CC) / Rex Sorgatz

Bebidas açucaradas como os refrigerantes estão por trás da epidemia de obesidade e sobrepeso registrada nas Américas. Foto: Flickr (CC) / Rex Sorgatz

Já o senador chileno Guido Girardi informou que, em seu país, 25% das crianças são obesas aos seis anos. Desde 2011, o Chile conta com uma lei que passou a incluir advertências sobre alimentos embalados ricos em gordura, açucares e sal e restringiu sua venda e publicidade como forma de conter as altas taxas de sobrepeso infantil.

“Antes não existia o direito de saber se os alimentos consumidos eram saudáveis, pois a informação estava escondida nas embalagens”, explicou o parlamentar. Segundo Girardi, crianças eram expostas a mais de 8 mil spots de publicidade enganosa a cada ano.

Com a nova legislação, os produtos que recebem advertência são proibidos de serem vendidos nas escolas.

Consumo de produtos industrializados em países das Américas estaria ligado a taxas crescentes de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças do coração. Foto: WikiCommons/lyzadanger/Diliff

Consumo de produtos industrializados em países das Américas estaria ligado a taxas crescentes de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças do coração. Foto: WikiCommons/lyzadanger/Diliff

Em 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas deu início à Década de Ação sobre Nutrição. O projeto — patrocinado por Brasil, Equador e outros países — busca melhorar a alimentação da população mundial, combatendo tanto a fome, quanto o sobrepeso.

Segundo o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Brasil, Jarbas Barbosa, a iniciativa “confirma que estamos no caminho certo para cumprir com os compromissos da Declaração de Roma sobre a segurança alimentar mundial e a Conferência Internacional de Nutrição”.

O dirigente considera necessário atingir as escolas, promover uma alimentação adequada e políticas para proteger os mais vulneráveis, especialmente os mais jovens. “Nos comprometemos a reforçar as políticas em matéria de nutrição para melhorar a saúde e qualidade de vida das crianças”, reiterou.