No Rio, Filippo Grandi disse que a agência pretende estreitar os laços com o país e destacou que o Brasil está perto de participar do Comitê Consultivo da UNRWA. A Agência lançou também seu site em português.

Na foto, o comissário-geral da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Filippo Grandi; o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Giancarlo Summa; e o responsável pela Coordenação Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Itamaraty, ministro Milton Rondó. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto
“Nossas atividades recebem muito suporte político (no Brasil), o que é fundamental se quisermos obter uma contribuição necessária, substancial e regular”, afirmou o comissário-geral da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Filippo Grandi, nesta sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, ao encerrar sua visita de cinco dias ao Brasil.
Grandi veio ao país para estimular o aumento da ajuda brasileira aos refugiados da Palestina e convidar o Brasil a integrar o Comitê Consultivo da UNRWA. Segundo ele, para que isso aconteça, o país deve doar mais 6,5 milhões de dólares até o fim do ano que vem já que, para participar do Comitê, um Estado-membro precisa doar 15 milhões de dólares para a agência a cada três anos.
Em novembro de 2013, o Brasil deve mandar a primeira remessa de um total de 11,5 mil toneladas de arroz ao refugiados da Palestina. A maior parte desse arroz vem do sul do país e esse foi um dos motivos que levou o comissário-geral da UNRWA a conversar com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, no início de sua viagem, na segunda-feira (30).
Durante a semana, Grandi foi a Brasília conversar com o vice-presidente da República, Michel Temer, e outros representantes governamentais e parlamentares. Ele também foi a São Paulo lançar uma campanha organizada pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira para arrecadar fundos para a agência.
Segundo ele, a expectativa é que, em dois meses, se arrecade 1 milhão de reais para comprar equipamentos de saúde para ajudar grávidas e pessoas com diabetes.
No Rio de Janeiro, Grandi afirmou que um dos maiores desafios da UNRWA atualmente é a Síria, que abriga mais de 500 mil dos 5 milhões de refugiados da Palestina no Oriente Médio e consome cerca de 300 milhões de dólares dos 1,2 bilhão requeridos aos doadores anualmente pela agência.
“A situação na Síria é muito difícil. É necessário lembrar que eles já são refugiados nesse país e, assim como outras pessoas na Síria, eles estão tendo que sair de suas casas, abandonar o país em determinados casos. Então, eles estão se tornando refugiados pela segunda vez”, ressaltou Grandi. “Acessar a área em que eles vivem (na Síria) é um desafio e requer muitos recursos, pois são lugares perigosos e difícil de chegar”, explicou.

Filippo Grandi concede entrevista à imprensa. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto
O conflito entre Israel e Palestina também foi abordado pelo comissário-geral da UNRWA, que disse que as áreas sob domínio israelense, como a Faixa de Gaza, enfrentam muitos problemas, incluindo o bloqueio comercial, o que impede o desenvolvimento da região.
Atualmente, mais de 5 milhões de refugiados da Palestina vivem em diferentes territórios do Oriente Médio, como Líbano, Faixa de Gaza, Síria, Jordânia e Cisjordânia. Todas estas áreas possuem ampla presença da UNRWA.
Para aproximar o público brasileiro da Agência, Grandi aproveitou a coletiva para lançar o site da UNRWA em português. A plataforma, desenvolvida pelo escritório local da Agência, pode ser acessado em www.unrwa.org.br.