O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, defendeu neste mês (18) que empresas de pequeno e médio porte devem ser incluídas no comércio internacional. Isso tornaria as trocas entre países mais inclusivas, com benefícios maiores para os trabalhadores de cada nação. Em entrevista ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o dirigente também desmistificou críticas ao sistema comercial multilateral.

Roberto Azevêdo, durante reunião anual do FMI e da OMC, em Bali, na Indonésia. Foto: FMI/Ryan Rayburn
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, defendeu neste mês (18) que empresas de pequeno e médio porte devem ser incluídas no comércio internacional. Isso tornaria as trocas entre países mais inclusivas, com benefícios maiores para os trabalhadores de cada nação. Em entrevista ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o dirigente também desmistificou críticas ao sistema comercial multilateral.
Segundo Azevêdo, o atual “sentimento contra o comércio e contra a globalização” é alimentado por rupturas nos mercados de trabalhos, com a eliminação de postos e o deslocamento da mão de obra para empregos mais precários, com salários menores. Mas a causa disso, aponta o chefe da OMC, não são as trocas comerciais entre os Estados.
“Nossos estudos mostram que cerca de 80% dos empregos que são perdidos na economia de hoje (desaparecem) por causa de novas tecnologias. São melhores técnicas, melhores equipamentos, máquinas que substituem homens e mulheres”, afirmou o dirigente.
De acordo com a autoridade máxima da OMC, “sempre é mais fácil, particularmente para um político, culpar o que vem de fora do que olhar para dentro e dizer ‘temos um problema'”.
“Porque as respostas a esse problemas não são imediatas. Isso exige ações de longo prazo, com educação e melhores habilidades para a força de trabalho, para ajudar as pessoas a migrar dos setores menos dinâmicos da economia para os mais dinâmicos”, acrescentou Azevêdo.
Para o dirigente, “a maior parte das críticas (ao sistema de comércio internacional) vêm de análises mal-informadas do que está acontecendo”.
“Honestamente, para a pessoa que perdeu o emprego, não é nenhum consolo entender que, para a economia, as importações e o comércio tiveram um saldo positivo”, completou o chefe da Organização.
Comércio é ‘força de desenvolvimento social’
Azevêdo explicou ainda que a OMC tem buscado estratégias para “fazer com que os benefícios do comércio cheguem a mais pessoas”. “Uma resposta fundamental para isso são as empresas de pequeno e médio porte. Na maior parte dos países, elas respondem pela maioria da mão de obra. Frequentemente, elas estão excluídas dos mercados globais. E por que isso? Ou elas não têm os recursos ou as regulações são complicadas demais”, avaliou.
Na visão do especialista, é necessário facilitar a participação dessas companhias nas trocas comerciais. Uma das medidas para isso é ajustar regulações. “Se houver burocracia demais, as pequenas e médias empresas desistem, elas não participam.”
O diretor lembrou a adoção em 2013, na OMC, de um acordo que prevê a simplificação de procedimentos aduaneiros. “Esperamos que isso abaixe os custos gerais do comércio globalmente, em torno de 12, 13%. Esse impacto é maior do que se eliminássemos todas as tarifas que existem no mundo hoje”, disse Azevêdo.
“Se deixarmos os benefícios do comércio se concentrarem apenas nas grandes empresas, nas que têm os recursos, e penetrarem outros mercados, então eu acho que não estaríamos usando o potencial pleno do comércio como uma força para o desenvolvimento social”, concluiu o chefe da OMC.