O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou neste domingo (16) a “histórica” assinatura do acordo de paz anunciado pela Eritreia e Etiópia, que marca o fim de duas décadas de um dos conflitos mais difíceis e sangrentos da África. “Há um poderoso vento de esperança cruzando o leste africano”, disse Guterres.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, junto ao rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, no dia da assinatura do acordo de paz entre Eritreia e Etiópia. Foto: governo da Arábia Saudita
“Há um poderoso vento de esperança cruzando o Chifre da África [no leste do continente]”, disse o chefe da ONU, António Guterres, em visita à Arábia Saudita, neste domingo (16).
O secretário-geral visitou o país para testemunhar a assinatura de um acordo de paz entre a Etiópia e a Eritreia, marcando o fim de décadas de conflito.
O Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que o acordo “é um marco histórico para os povos da Etiópia e da Eritreia, e contribuirá para fortalecer a segurança e a estabilidade na região”.
Falando a jornalistas após o encontro, Guterres afirmou que o fim do conflito de duas décadas é “histórico” e “tem um significado muito importante num mundo em que, infelizmente, tantos conflitos se multiplicam e se tornam intermináveis”.
O secretário-geral das Nações Unidas expressou “profundo apreço” pelo papel desempenhado pela Arábia Saudita. Ele prestou homenagem “à visão e sabedoria do primeiro-ministro da Etiópia” que, segundo ele, teve a capacidade de superar a enorme resistência do passado e abrir um novo capítulo na história do seu país”.
Guterres também parabenizou a forma como o presidente da Eritreia respondeu prontamente às iniciativas de paz.
O degelo nas relações entre os países vizinhos começou em junho, quando o recém-eleito primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, abriu o diálogo que, agora, se concretizou na paz. A ação marcou o fim de um dos conflitos mais difíceis e sangrentos da África, que desestabilizava a região desde o final dos anos 1990.
Sobre as consequências do acordo para toda a região, Guterres descreveu o consenso entre os dois países como um sinal de esperança, não apenas para as nações envolvidas, mas para toda a África. “Não se trata apenas da paz entre a Etiópia e a Eritreia. É o fato de amanhã e depois nós termos aqui (na Arábia Saudita) o presidente do Djibuti e o presidente da Eritreia, dois países que também estiveram em conflito.”
De acordo com informações da imprensa, a Eritreia e o Djibuti anunciaram na sexta-feira (14) que também normalizariam as relações diplomáticas após conflitos na fronteira, em 2008, que deixaram vários mortos e resultaram em diversas prisões para ambos os lados.
O chefe da ONU também notou o acordo de paz entre o presidente e seu ex-vice-presidente no Sudão do Sul – assinado na quinta-feira (13) na capital da Etiópia, Adis Abeba – como outro indicador do movimento diplomático no Chifre da África e suas fronteiras.
“Esta janela de esperança é extremamente importante em um mundo onde, infelizmente, a esperança tem sido muito escassa”, observou o secretário-geral.