Chefe da ONU condena ataques em Taiz, no Iêmen; negociações em curso buscam solução política

Lançamento de mísseis teria atingido um movimentado mercado na cidade iemenita. “Ataques dirigidos contra civis e áreas povoadas, incluindo mercados, são estritamente proibidos”, destacou um comunicado do porta-voz de Ban Ki-moon, que pediu apoio às negociações políticas em andamento no Kuwait e a libertação de todos os prisioneiros e detidos.

Sanaa, capital do Iêmen, em julho de 2015. Foto: OCHA/Charlotte Cans

Sanaa, capital do Iêmen, em julho de 2015. Foto: OCHA/Charlotte Cans

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou neste sábado (4) os ataques na cidade iemenita de Taiz que foram realizados com armas pesadas, incluindo foguetes, morteiros e artilharia.

“O lançamento de mísseis teriam atingido um movimentado mercado na cidade. Ataques dirigidos contra civis e áreas povoadas, incluindo mercados, são estritamente proibidos”, destacou um comunicado emitido pelo porta-voz de Ban.

O chefe da ONU ressaltou a todas as partes em conflito que tornar áreas civis um alvo é uma violação do direito humanitário internacional, os instando a respeitar plenamente as suas obrigações a este respeito. Ban também pediu uma investigação independente para garantir que os agressores sejam responsabilizados.

“O secretário-geral continua a instar todas as partes em conflito a cessar todas as atividades militares, em acordo com o cessar-fogo em todo o país. Ele exorta ainda as partes a se abster de quaisquer ações que possam resultar em mais mortes de civis. É particularmente lamentável que Taiz continue a pagar um alto preço com a perdas civis, apesar da cessação das hostilidades”, disse o comunicado.

Ban Ki-moon apelou às partes para que participam nas negociações de paz que acontecem no Kuwait “em boa fé” e trabalhem “urgentemente” com o seu enviado especial para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, como forma de promover uma solução pacífica para o conflito. Ban pediu a libertação imediata dos prisioneiros e detidos.

O enviado das Nações Unidas para o Iêmen, disse hoje que a esperança é que emana das negociações de paz em curso para o país como as partes em conflito começaram a discutir detalhes de elementos que seriam incluídas em um acordo abrangente.

No Kuwait, seguem as negociações de paz mediadas pela ONU

No final de maio, o enviado da ONU enfatizou que o Iêmen está em uma fase crítica, com a economia destruída, sua infraestrutura arruinada e o tecido social do país desintegrado.

“A situação no terreno é terrível, mas há esperança que emana do Kuwait”, disse Ahmed se referindo ao local onde ocorrem as negociações, acrescentando que apenas os participantes do diálogo de paz podem mudar a situação.

Ahmed informou à época que as negociações estavam em curso, o apoio internacional é mais forte do que nunca e a ONU está determinada a alcançar uma paz duradoura e tornar sólido um eventual acordo.

Na dia 23 de maio, uma sessão plenária conjunta foi realizada com a presença de líderes de ambas as delegações participantes, que reiteraram o seu compromisso com o diálogo, como forma de chegar a um acordo político que seja aceito por todos.

O enviado especial convocou uma série de reuniões bilaterais com as delegações ao longo de maio, discutindo especificamente os detalhes e mecanismos de retirada, entrega das armas, retomada do diálogo político, restauração das instituições do Estado e outros assuntos que serão incluídos em um acordo mais abrangente.

Os debates incidiram igualmente sobre a importância das garantias para assegurar a aplicação de um acordo, disse Ahmed. As partes começaram a tratar em detalhes de assuntos específicos e sensíveis, com base nos pontos de referência acordados.