Chefe da ONU condena ataques na República Centro-Africana e pede reforço de missão de paz

Segundo a ONU, mais de 650 mil pessoas estão desabrigadas e mais de 290 mil fugiram para países vizinhos em busca de refúgio.

Ataques de anti-Balaka e rebeldes ex-Séléka violaram gravemente os direitos humanos e causaram grande deslocamento interno na República Centro-Africana (RCA). Foto: OCHA/D. Schreiber

Ataques de anti-Balaka e rebeldes ex-Séléka violaram gravemente os direitos humanos e causaram grande deslocamento interno na República Centro-Africana (RCA). Foto: OCHA/D. Schreiber

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mostrou-se preocupado com a mais recente onda de violência na República Centro-Africana (RCA) e lembrou a todos os envolvidos que eles serão responsabilizados por suas ações e levados à justiça.

No comunicado emitido pelo seu porta-voz no início da semana, Ban Ki-moon disse que a deterioração da situação de segurança no país está resultando em muitas mortes e feridos, além de aumentar as dificuldades da população.

“O secretário-geral condena nos mais fortes termos possíveis todos os atos de violência contra civis e contra as forças internacionais que trabalham na República Centro-Africana, estabelecendo paz e ordem. Ressalta ainda a importância fundamental da proteção de civis em todos os momentos”, disse o comunicado.

Diante da situação crítica do país, Ban Ki-moon solicitou a lista dos indivíduos que agem para minar a paz, a estabilidade e a segurança no país, pedindo ainda a criação de uma comissão internacional de inquérito para investigar denúncias de violações de direitos humanos por todas as partes.

Além disso, ele pediu que os líderes africanos e as tropas francesas continuem contendo a violência, e propôs a implantação de quase 12 mil membros das forças de paz da ONU para, principalmente, proteger os civis. Atualmente, um Missão de manutenção de paz da União Africana (MISCA) e as forças militares francesas atuam no país.

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), pelo menos 60 pessoas foram mortas em Bangui nos últimos dez dias, em meio aos ataques entre milícias de maioria cristã conhecidas como “anti-Balaka” e muçulmanos.

“Em meio à deterioração da situação de segurança no país, mais uma vez peço que os países-membros apoiem o apelo urgente do secretário-geral para enviar mais forças de paz e policiais”, disse a porta-voz do ACNUDH, Cécile Pouilly.

Estima-se que mais da metade da população precisa de ajuda humanitária, cerca de 2,2 milhões de pessoas – ou cerca de metade da população nacional. São mais de 650 mil pessoas desabrigadas, além de mais de 290 mil que fugiram para países vizinhos em busca de refúgio contra o conflito.

Nos últimos três meses, cerca de 82 mil pessoas da República Centro-Africana encontraram abrigo em Camarões, República Democrática do Congo, República do Congo e Chade.

“A violência inter-comunitária provocou mais deslocamentos dentro do país e além de suas fronteiras”, disse Fatoumata Lejeune-Kaba, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), em Genebra.

A ONU está posicionada para implantar e sustentar a missão no país, disse um comunicado da Organização. Já o porta-voz do ACNUR afirmou que a agência está pronta para ajudar na evacuação para áreas mais seguras, dentro ou fora do país.