Chefe da ONU condena nova escalada de violência entre forças opositoras no Sudão do Sul

De acordo com Ban Ki-moon, essa retomada de hostilidades é uma grave violação do acordo assinado e mina os esforços de uma solução política para o conflito no Sudão do Sul.

Acampamento de proteção civil perto de Bentiu. Foto: ONU/JC Mcllwaine

Acampamento de proteção civil perto de Bentiu. Foto: ONU/JC Mcllwaine

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira (30) o fim imediato das hostilidades no Sudão do Sul, que vive uma nova escalada de violência em dois municípios no norte do país. Ban condenou veemente o aumento da violência nas disputas entre o Exército Popular de Libertação do Sudão e as forças de oposição nas cidades de Bentiu e Rubkona, localizadas no estado de Unity.

O país tem passado por diversos episódios de violência nos últimos meses, incluindo um ataque a uma das bases das Nações Unidas no país, que deixou uma criança ferida. Durante a ocasião, aproximadamente 340 civis pediram ajuda para as tropas da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) e foram escoltadas para lugares seguros.

A disputa política entre o presidente Salva Kiir e seu antigo vice-presidente, Riek Machar, começou na metade de dezembro de 2013 e se transformou em um conflito que levou mais de 100 mil civis a buscarem refúgio nas bases da UNMISS em todo o país. A crise provocou o deslocamento de mais de 1,5 milhão de pessoas e deixou mais de 7 milhões vulneráveis à fome e às doenças.

“Essa retomada de hostilidades é uma nova e grave violação do Acordo de Cessação de Hostilidades e mina os esforços contínuos da Autoridade Intergovernamental sobre Desenvolvimento para encontrar uma solução política para o conflito no Sudão do Sul”, disse Ban. O secretário-geral lembrou a todos os atores implicados no conflito sobre a inviolabilidade de todas as instalações da ONU, incluindo os lugares de proteção civil da UNMISS, onde a Missão atualmente protege mais de 100 mil deslocados, incluindo 49 mil apenas em Bentiu.

O secretário-geral também instou as duas frentes a participar de forma construtiva nas negociações políticas que acontecem em Adis Abeba, na Etiópia, para alcançar um acordo urgente inclusivo e abrangente para o regime de transição.