Chefe da ONU convoca reunião especial para encontrar soluções para os 60 milhões de refugiados

O encontro com líderes mundiais acontecerá no dia 30 de setembro na sede da ONU. Ban Ki-moon também abordou questões relacionadas à Síria, Iêmen e a adoção da nova agenda de desenvolvimento.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, responde perguntas durante a coletiva de imprensa no começo da 70a sessão da Assembleia Geral da ONU. Ao lado, o porta-voz da Organização, Stéphane Dujarric. Foto: ONU/Mark Garten

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, responde perguntas durante a coletiva de imprensa no começo da 70a sessão da Assembleia Geral da ONU. Ao lado, o porta-voz da Organização, Stéphane Dujarric. Foto: ONU/Mark Garten

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou uma reunião de alto nível para mobilizar “uma resposta humana, efetiva e baseada nos direitos humanos” para a crise global que levou 60 milhões de pessoas a fugirem de suas casas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (16) por Ban, em resposta ao número sem precedentes de refugiados que fogem de seus países devido aos conflitos, o colapso da governança básica e o desespero econômico.

Ban deu uma coletiva de imprensa hoje, a menos de 10 dias da abertura do debate geral da 70ª sessão da Assembleia Geral, que na segunda-feira (28), reunirá líderes de todo o mundo na sede da ONU em Nova York. O encontro acontece, segundo ele, em um “momento de turbulência e esperança”.

As turbulências se referem à intensificação dos conflitos e suas consequências para os civis. Já a esperança, disse, está relacionada ao número histórico de líderes que se encontrarão na sede da Organização entre os dias 25 e 27 de setembro, na Cúpula da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015, para adotar uma “nova agenda de desenvolvimento inspiradora” que mostra o que os Estados-membros podem alcançar quando trabalham juntos e promove dignidade para todos em um planeta saudável.

Sobre a Síria, Ban afirmou que se encontrará com os ministros de relações exteriores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – para buscar um fim ao conflito no qual “os combatentes estão desafiando todas as normas de humanidade”. Ele também citou a violência no Iêmen, onde ataques aéreos estão devastando a população civil e instou as partes iemenitas a retomar imediatamente o processo político junto ao seu enviado especial.

O número de crises no mundo acarretou em que uma em cada 70 pessoas no planeta precisem de ajuda humanitária, o equivalente a 100 milhões de homens, mulheres e crianças. No entanto, advertiu o secretário-geral, as doações para essas operações estão criticamente subfinanciadas.

As 60 milhões de pessoas deslocadas por conflitos, colapso de governança, desespero econômico e outros fatores geraram deslocamentos jamais vistos desde a Segunda Guerra Mundial. Uma reunião em 30 se setembro abordará a forma de ajudar, inclusive através do asilo, homens, mulheres e crianças que fogem de guerras e persecução. Ban advertiu àqueles que impedem o direito dos refugiados que “assumam suas responsabilidades e cumpram com suas obrigações legais”.

Para Ban, as crises atuais sublinham o fracasso das respostas de paz, segurança e desenvolvimento há muito tempo estabelecidas e mencionou as três mudanças fundamentais que ocorrerão nas operações de paz da ONU. Mas advertiu que o futuro dessas missões depende de ações concertadas para banir a exploração sexual e abusos. “É uma vergonha quando funcionários da ONU ou outros membros enviados para proteger as pessoas aumentem o sofrimento e se transformem em parte do problema”, complementou.