Pelo menos 14 capacetes-azuis das Nações Unidas na República Democrática do Congo (RDC) foram mortos e muitos ficaram feridos no que o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu como o “pior ataque” contra as forças de paz na história recente.
“Esses ataques deliberados contra as forças de paz da ONU são inaceitáveis e constituem crime de guerra”, disse Guterres, afirmando que condena a hostilidade de forma “inequívoca”.

Nesta foto de 2014, um capacete-azul da MONUSCO perto de veículo destruído atacado por milícia na região de Beni. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti
Pelo menos 14 capacetes-azuis das Nações Unidas na República Democrática do Congo (RDC) foram mortos e muitos ficaram feridos no que o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu como o “pior ataque” contra as forças de paz na história recente.
Na quinta-feira (7), uma base operacional da MONUSCO, a missão de estabilização das Nações Unidas no Congo, na cidade de Beni, leste do país próximo à fronteira com a Uganda, foi atacada por elementos suspeitos das Forças Democráticas Aliadas (ADF).
“Esses ataques deliberados contra as forças de paz da ONU são inaceitáveis e constituem crime de guerra”, disse Guterres, afirmando que condena a hostilidade de forma “inequívoca”.
O chefe da ONU pediu que as autoridades do país investiguem o incidente, com o objetivo de levar os agressores rapidamente à Justiça. “Não deve haver impunidade para tais ataques, aqui ou em qualquer outro lugar”, ressaltou.
Guterres disse ainda que o ataque é outra indicação dos desafios enfrentados pelas forças de paz da ONU em todo o mundo, e reconheceu os sacrifícios feitos pelos países contribuintes de tropas a serviço da paz global.
“Essas mulheres e homens corajosos estão colocando suas vidas em jogo todos os dias em todo o mundo para servir à paz e proteger civis”, disse, oferecendo suas condolências às famílias das vítimas e recuperação rápida aos feridos.
De acordo com o Centro de Operações e Crises da ONU (UNOCC), a MONUSCO informou no domingo que 14 integrantes das forças de paz da ONU – todos cidadãos da Tanzânia – foram mortos, 44 foram feridos e um ainda está desaparecido. Dos três soldados que inicialmente foram dados como desaparecidos, dois já retornaram e apenas um permanece nessa situação.
De acordo com o diretor do UNOCC, Ian Sinclair, dados iniciais indicam que 53 capacetes-azuis foram feridos, sendo três de forma crítica, mas os números podem subir.
Membros das forças armadas congolesas também foram mortos e feridos no ataque, mas os dados ainda não foram confirmados, disse Sinclair a jornalistas na sede da ONU, em Nova York.
“Nossos reforços chegaram ao local e uma busca está em andamento pelo soldado desaparecido”, disse ele, observando que os feridos foram evacuados da área, sendo alguns para instalações médicas mais avançadas em Goma, na RDC. “É possível uma evacuação médica adicional para feridos graves”, acrescentou.
Na sexta-feira (8), o Conselho de Segurança da ONU também condenou o ataque. “Não pode haver impunidade para tais atos”, ressaltou o Conselho de 15 membros, pedindo ao governo da RDC que garanta que os autores de tais ataques sejam levados à justiça.
Na declaração, o Conselho de Segurança também reiterou o seu pleno apoio ao representante especial do secretário-geral na RDC e à MONUSCO para implementar plenamente seu mandato.
A volátil região de Kivu do Norte, localizada no leste do país, testemunhou vários ataques às forças de paz da ONU. Em outubro, dois capacetes-azuis da ONU foram mortos e outros 18 feridos, após um ataque a uma base pelo grupo armado ADF.