Concluindo viagem à Irlanda, Ban Ki-moon visitou comunidade de refugiados e lembrou de seus tempos de criança quando foi forçado a deixar sua cidade devido à Guerra da Coreia.

Refugiados e migrantes arriscam suas vidas viajando da África para a Europa em embarcações superlotadas e incapazes de navegar para escapar da perseguição e da violência ou simplesmente para encontrar uma vida melhor. Foto: ACNUR / A. Di Loreto
A comunidade internacional deve intensificar esforços para fornecer vias regulares e seguras de migração e de acesso à proteção, declarou nesta segunda-feira (25) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao concluir sua viagem a Irlanda com uma visita a uma comunidade de refugiados reinstalados.
Dirigindo-se a eles, Ban recordou seu tempo de criança durante a Guerra da Coreia, quando ele fugiu, junto com sua família, para as colinas em torno de sua aldeia.
“À medida que subimos na chuva, olhei para trás para o único mundo que eu conhecia: onde eu tinha jogado, onde eu tinha ido para a escola, onde eu vivia com minha família; tudo estava em chamas. Nossas vidas viraram fumaça”, lembrou. “Apesar das dificuldades, apesar da escuridão, eu vim através deles. Hoje, eu carrego uma mensagem simples: o mundo está com vocês e eu estou com vocês.”
Essas “graves perdas de vida”, disse Ban, poderiam ser evitadas através de um sistema mais acessível e transparente da migração facilitada pela criação de vias seguras e regulares adicionais e acesso à proteção. Além disso, esquemas de parceria privada, maior reagrupamento familiar e regime de vistos flexíveis, incluindo para fins humanitários, de estudo e de trabalho, poderia ajudar a reunir famílias separadas pela tragédia.
Segundo a ONU, só no Mediterrâneo, as 1,8 mil mortes no primeiro mês do ano representam um aumento de 20 vezes em relação ao mesmo período do ano passado – e nesse ritmo, entre 10 mil e 20 mil migrantes não resistiriam até o outono. Cerca de um terço das pessoas que atravessam o Mediterrâneo são refugiados sírios. Outro milhares são da Eritreia, Somália, Afeganistão e outras nações. Em um único fim de semana em abril, 900 pessoas morreram tentando cruzar o Mediterrâneo.